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Bel Borba (se) expõe AQUI, em Sete Elementos no Palacete das Artes

Publicação: 05/01/12 | 15H01 - Última Atualização: 17/01/12 | 09H01

A criatividade de um dos mais completos artistas baianos ganha mostra no Palacete das Artes Rodin Bahia e faz a Fonte Nova ressurgir dos escombros

O universo é formado por quatro elementos: fogo, terra, ar e água. Há quem acredite que são cinco. O universo de Bel Borba é formado por sete. Sete “Belementos”, de acordo com Burt Sun, curador da exposição que será inaugurada no dia 13 de janeiro pelo Palacete das Artes Rodin Bahia / Diretoria de Museus do IPAC e SECULT/BA que promovem o evento. A abertura acontece às 19 horas, com entrada franca.

Aqui, em Sete Elementos é o nome da mostra que espelha a própria vida e obra do artista e traz à tona a forma como Bel vê e se relaciona com o próprio mundo. Serão setenta dias – ou um piscar d’olhos – para conferir a diversidade de Bel Borba, suas múltiplas facetas, a partir de sua produção mais atual, separada em grupos criativos, os tais Belementos: Fonte Nova, Traço de Luz, Tapetes Voadores, Bela, Treeth (do inglês tree+teeth), Azulejo da Vida e Cidade.A exposição fica aberta ao público até o dia 23 de março de terça a domingo das 10h às 18h

Cápsula do Tempo

“Tudo à nossa volta tem, em si, uma quantidade incrível de informações, uma narrativa própria. É preciso estar atento para perceber”, considera o artista. A maior prova desse pensamento está nesta que, se não é a maior, possivelmente é a exposição mais “pesada” que Salvador já viu.

Logo na entrada, paredes pretas contrastam com peças alvas com mais de cinco metros de altura, quase três metros de base e mais de sete mil quilos de peso. É a Fonte Nova que ressurge diante do público, em monólitos lapidados minuciosamente por Bel e que parecem ainda vibrar a emoção que está guardada ali. Blocos remanescentes das colunas que sustentaram um templo de paixões para os baianos e que agora, como cápsulas do tempo, nos conduzem da perplexidade a um contato inevitável com sensações íntimas, anseios, lembranças. “Quando eu olho para esses destroços, eu posso ouvir o som e os ecos das pessoas que em algum momento ali estiveram, choraram, gritaram com euforia, brigaram…”, conta o artista. “Acredito que o público vá sentir o mesmo”, incita.

Estamos acostumados ao Bel que recicla e ressignifica a matéria comum, assim como símbolos e o próprio tempo guardado na memória de quem observa suas criações. Mas desta vez ele vai além e consegue nos fazer reviver – coletivamente – um ícone, a partir das vivências pessoais de quem visite a exposição. Não seria exagero dizer que o próprio Bel se superou.

Mesmo tendo acompanhado todo o processo, o curador da mostra conta que ficou de queixo caído quando viu o resultado. “É muito expressivo e surpreendente em cada detalhe”, justifica. Para o galerista Paulo Darzé, Aqui, em 7 elementos apresenta “trabalhos de altíssima qualidade e valor criativo e que só um artista senhor do seu fazer, um artista pleno, poderia produzir”.

Mundo de Bel

“No mundo de Bel não há limites de onde ele pode tirar inspiração. Presenciar seu processo criativo é como testemunhar um ato de magia”, analisa Burt Sun, que convive com Bel Borba há cerca de seis anos, quando se surpreendeu com a qualidade das obras do artista espalhada pela cidade. Daí nasceu a ideia para um filme – Bel Borba Aqui – trabalho que pretende documentar o dia a dia de Bel e seu processo criativo para encontrar de que modo isso reflete sua paixão por Salvador.

Foi o conceito do filme e os trabalhos que foram sendo produzidos para ele que inspiraram a exposição. “Queremos que o público sinta como Bel produz suas obras e consegue solidificar ideias em algo concreto”, revela Burt. Pequenos trechos já filmados estarão na mostra, em forma de vídeo-instalação.

Apesar do grande impacto da mostra, o passeio pelas obras revela muito do perfil bem humorado e divertido do artista. O que você acharia de encontrar uma sala repleta de fotos de gente banguela sorrindo? Essa é parte do inusitado de Treeth. Sobre os azulejos Bel desenha uma story board autobiográfica com traço inconfundível. O curso da vida também está presente em Bela, seção em que homenageia a filha pequena. Enaltece o bairro do Rio Vermelho, que tanto ama, em uma brincadeira com luzes usadas para compor imagens de seu imaginário.

Com os Tapetes Voadores ele cria jogos e mensagens sobre temas como religiosidade e metafísica. Por fim, Cidade é uma tentativa de definir como Bel está impregnado de Salvador, assim como a cidade também está repleta dele: um mapa da capital baiana vai ilustrar, a céu aberto, os 35 anos de arte de Bel, tendo a cidade como musa, parceira e galeria. “Nossa expectativa é de que, após visitar a exposição, o público seja estimulado a caminhar pelas ruas e vivenciar a cidade através das obras e da visão de um apaixonado por Salvador”, explica Burt.

Aqui, em Sete Elementos revela a nova experiência do artista em seu encontro com a morte, amor, luxúria e renascimento. Momento em que seu trabalho alcança grande maturidade e sua vida pessoal passa por mudanças significativas, como a morte da mãe e o nascimento da primeira filha, aos cinquenta e quatro anos.

Sobre Bel Borba

O fotógrafo e consultor de arte Burt Sun, responsável pela organização da exposição, vive entre Nova Iorque e Salvador e transita em galerias americanas, européias e brasileiras. Mesmo com convivência de amigo, ele diz ainda ficar deslumbrado com a forma como Bel cria e recria objetos e símbolos que podem ser facilmente compreendidos e decifrados por todos.

Bel Borba e sua arte urbana se insurgem contra o panorama ameaçador da cidade, com invasão de automóveis, velocidade perigosa, engarrafamentos, deserto de pessoas e muitas formas de violência, na opinião do Secretário de Cultura, Albino Rubim. “Sua rebeldia traduzida em marcantes intervenções produz experiências, sentidos e olhares (…) produz significados e sentimentos de pertença na devastadora selva de pedra, árida de sentidos. Sua singular intervenção reanima e revitaliza os espaços públicos”, considera o secretário.

“Para o Palacete das Artes Rodin Bahia é uma honra receber esse irrequieto e inventivo artista que faz das ruas das cidades suas galerias”, declara Murilo Ribeiro, diretor do Museu. Paulo Darzé complementa: “A obra de Bel Borba é um presente para a cidade e bastaria isto para colocá-lo como uma das maiores expressões na arte do Brasil”.

SERVIÇO

O QUE: Bel Borba na exposição AQUI. em 7 elementos (curadoria de Burt Sun)

ONDE: Palacete das Artes Rodin Bahia [mapa] Rua da Graça 284, Graça, Salvador -Bahia

QUANDO: De 13/01 a 23/03 de março de 2012 DE TERÇA A DOMINGO DAS 10H ÀS 18H

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