Fundo de Cultura

24/02/2016 16:40

Mostra de Cinema Indígena terá exibições em Salvador e nas aldeias Tumbalalá e Kiriri

Cine

A 5ª edição do Cine Kurumin chega pela primeira vez a Salvador, abrindo o calendário audiovisual de 2016 na Bahia. De 04 a 06 de março o Palacete das Artes será palco da exibição de 32 produções de temática indígena, entre curtas, médias e longa-metragens – a maior parte inédita no circuito comercial. As tradicionais mostras a céu aberto acontecem nas aldeias Tumbalalá, em Abaré, de 26 a 28 deste mês, e Kiriri, em Banzaê, de 01 a 03 de abril. O projeto conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, mecanismo de fomento gerido pelas secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz), através do edital Agitação Cultural: Dinamização de Espaços Culturais.

Treze convidados compõem a programação de debates em Salvador e nas aldeias, em um encontro único no Brasil de cineastas indígenas e não-indígenas. Entre eles estão: Vincent Carelli, Ariel Ortega, Isael Macaxali, Patri Ferreira, Takumã Kuikuro e Zezinho Yube. Esta edição também traz à capital baiana o grande xamã e porta-voz dos Yanomami, Davi Kopenawa. Ele lançou recentemente a obra A queda do céu, em parceria com o etnólogo Bruce Albert, que foi celebrada pelos principais intelectuais do país.

“Neste quinto ano da mostra, ela dá novos passos e chega à cidade, onde queremos povoar o mundo não-indígena com o olhar, os sons e imaginários da floresta, acreditando que olhar para o mundo do outro é uma forma de olhar para o nosso mundo”, afirma a curadora do projeto e antropóloga, Thaís Brito.
Além de ser uma janela para as produções indígenas, segundo ela, as rodas de conversas do Cine Kurumin com os realizadores e líderes são uma abertura para o pensamento ameríndio.

Programação

O projeto realizará três mostras, sendo duas a céu aberto nas aldeias Tumbalalá, em Abaré, de 26 a 28 deste mês, e Kiriri, em Banzaê, de 01 a 03 de abril.

A programação nas aldeias também está recheada de convidados e bate-papos, além das sessões diárias. Em Tumbalalá, um dos principais debates é sobre o Cinema Indígena no Nordeste, com a participação de Jaborandy Tupinambá, Sirleia Kiriri, Fábio Titiá Pataxó Hãhãhãe, Élvis Ferreira Fulni-ô e Gabriel Tumbalalá.

“Um dos objetivos do projeto é o de formar público para o cinema indígena a partir da própria referência, ampliando a rede de distribuição desses conteúdos”, diz a curadora. O nome do projeto, Cine Kurumin, é, inclusive, inspirado nas crianças, que sempre encheram as sessões nas aldeias. Nas duas comunidades haverá transmissão ao vivo por rádio livre.

Antropofagia Visual, de Vincent Carelli, abre as sessões do Cine Kurumin na aldeia Tumbalalá. Vincent Carelli, idealizador do Vídeo nas Aldeias, é um dos convidados do 5º Cine Kurumin e participa da roda de conversa “Já me transformei em imagem” – Perspectivas do cinema indígena, no dia 04 de março no Palacete das Artes, às 15h30, com Takumã Kuikuro, Isael Maxacali, Patrícia Ferreira, Zezinho Yube Huni Kuin e Taquari Pataxó.
“Já me transformei em imagem” é também o tema da mostra na capital baiana e o título do filme da etnia Huni Kuin, no Acre, que abre a programação do Cine Kurumin em Salvador. O filme é de Zezinho Yube e representou o Brasil no Berlim International Film Festival, o Berlinale, um dos festivais de cinema mais importantes do mundo, no ano passado.

A mostra no Palacete das Artes terá produções inéditas em Salvador e no Brasil. ETE Londres - Londres como uma aldeia, de Takumã Kuikuru, foi exibido apenas no Parque Indígena do Xingu, e terá sessão em Londres, no fim de fevereiro.

A obra compõe a programação do sábado (05/03), que terá ainda o filme No caminho como Mário, vencedor do prêmio de Melhor Curta no Cachoeira Doc 2015, e é inédito em Salvador. Ainda no sábado também se destacam trabalhos de cineastas não-indígenas, lançados em 2015. O Retorno da Terra, de Daniela Alarcon, e Retomada, de Leon Sampaio, expõem de formas distintas os conflitos vividos pelos Tupinambás na Bahia. Já o documentário Índios no Poder, de Rodrigo Siqueira, aborda, a partir da vida de Mário Juruna, os ataques aos direitos constitucionais dos indígenas.


Edições anteriores

O Cine Kurumin surge da experiência de exibição de filmes em aldeias indígenas durante oficinas de cultura digital realizadas pela rede de comunicação indígena Espalha Semente. As sessões de cinema indígena aconteciam durante oficinas de rádio livre, produção audiovisual, internet e costumavam reunir um público diverso de indígenas para assistir aos filmes.

Em 2009, o projeto Espalha Semente recebeu o Prêmio Tuxaua, do Ministério da Cultura, e, com esse apoio, deu início à mostra oficial na aldeia Tupinambá, em Olivença. Em 2011, com apoio do Instituto de Radiodifusão da Bahia - IRDEB aconteceram três edições da mostra nas aldeias Tupinambá, Tumbalalá e Pataxó, comunidades indígenas da Bahia. Nessas edições, foram exibidos filmes direcionados para crianças, público sempre presente nas exibições e que inspira o nome do projeto.

No ano passado, a mostra aconteceu na aldeia Kiriri e trouxe 30 produções de dez diferentes etnias. Foi a primeira vez que os realizadores indígenas participaram das sessões, com bate-papos na comunidade após a exibição dos filmes. A Rádio Kiriri, que também é parceira nesta quinta edição do Cine Kurumin, fez a cobertura do evento durante os dez dias de programação. Ela é uma rádio indígena que transmite em baixa potência direto da Aldeia Kiriri de Mirandela na Bahia.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA)
– Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.

Serviço:
5º Cine Kurumin - Mostra de Cinema Indígena

Aldeia Tumbalalá
Abaré | 26 a 28 de fevereiro de 2016
Abertura 17h

Salvador - Palacete das Artes
Salvador | 04 a 06 de março de 2016
Local: Palacete das Artes - Rodin Bahia. Rua da Graça, 289 - Graça
Abertura 15h

Aldeia Kiriri
Banzaê | 01 a 03 de abril de 2016
Abertura 19h

Realização: Espalha Semente
Informações: cinekurumin@gmail.com / Fanpage
Assessoria de Comunicação do Cine Kurumin - Janaina Rocha | 71.992486770 | janainarochasp@gmail.com
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