Cultura

11/11/2016 15:45

Fundo de Cultura da Bahia: a mola mestra da economia cultural

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Quando ouvimos, falamos ou escrevemos a palavra economia temos em mente a produção, a distribuição e o consumo de bens. Até aí tudo certo, o que a gente ainda não se deu conta é que uma das áreas econômicas de maior desenvolvimento no mundo contemporâneo é a cultura.

Imagine a cena: o bloco Afro Olodum ensaia no largo do Pelourinho. Agora pense no entorno, baianos e turistas chegam e consomem os produtos vendidos pelos ambulantes e nas lojinhas, os bares e restaurantes ficam lotados, monumentos são vistos, museus visitados. E olha que tudo começou com a batida da bateria, e em poucos instantes a cultura fez a economia girar. “Se somarmos a riqueza gerada pela economia da cultura na Bahia, poderemos ter a surpresa que ela é maior que o somatório da riqueza e impostos revertidos de muitas fábricas de Pólo Petroquímico!”, observa o secretário de Cultura, Jorge Portugal.

A economia da cultura é uma ação dinâmica, estratégica e criativa, tanto pelo ponto de vista econômico como sob o aspecto social que é capaz de propiciar oportunidades de inclusão, devido à sua atuação com a diversidade.

Nas outras duas reportagens da série que publicamos nas nossas redes sociais apresentamos o Fundo de Cultura pelo viés da importância política e social para o Estado da Bahia. Na segunda, desvendamos o perfil dos personagens que estão por trás dos projetos aprovados pelo FCBA, nesta ultima vamos mostrar a cultura através do olhar econômico através dos projetos que têm o apoio do Fundo, e que geram emprego, renda, movimentam o turismo e a economia do Estado.

A cultura a serviço da economia

Pedro Caribé, do Mídia Livre Bahia, conta que o projeto nasceu em 2012, junto com o crescimento da internet. “O que a gente queria não era produzir mais, e sim promover o mapeamento e ajudar na defesa dos direitos humanos, na diversidade cultural nos meios de comunicação”.
Em 2013 o projeto ganhou dois editais do Fundo: Estratégia de Cultura e Cultura Digital. Em 2014 foram mais dois editais, focados na área do audiovisual. “Recebemos o reconhecimento social e podemos fazer o Encontro de Mídia Livre. Se não fosse o Fundo, com esse modelo de autonomia e diversidade na área cultural, não seria possível a realização do evento. Mesmo com os problemas burocráticos que às vezes rolam, é a forma mais abrangente de conseguir apoio financeiro, por isso pretendemos tentar ainda mais editais”, declara.

O coordenador de produção do projeto CachoeiraDoc, Leonardo Costa engrossa o coro dos satisfeitos com o FCBA. Ele faz questão de reafirmar que esse tipo de projeto agrega opções ao leque de atrativos da cidade, estimulando a economia local e fomentando o potencial turístico da região. “Já oficialmente integrado ao calendário cultural da cidade, o CachoeiraDoc é um evento de médio porte que gera renda a começar pelas demandas para a realização do próprio festival que necessita de serviços como: locação de equipamentos, montagem de infra-estrutura, alimentação da equipe, hospedagem, transporte, entre outros serviços, além de qualificar e remunerar estudantes e profissionais que têm poucas oportunidades de emprego, e adquirindo experiência profissional”.

O Festival em seus sete anos de realização já mobilizou diretamente mais de 15.000 pessoas de diversas procedências. Um fluxo de visitantes que contribui para o aquecimento da economia local e a melhoria da infra-estrutura porque demanda uma série de serviços e produtos, divulga os atrativos da região para além do período de realização do evento.


A BAHIA É CRIATIVA

Além dos editais, outra ferramenta que deu um passo a frente na criação de uma rede criativa, produtiva e que fortaleceu o mercado das artes local foi o Bahia Criativa, um escritório público de atendimento, que dá suporte a profissionais e empreendedores que atuam nos setores criativos.
Fruto de um convênio firmado entre o Ministério da Cultura e o Governo da Bahia, o equipamento é administrado pela Secretaria de Cultura do Estado, e tem como objetivo qualificar mão de obra no campo da gestão e sustentabilidade econômica de atividades criativas.

Segundo Luciana Vasconcelos, assessora do Bahia Criativa, “Os editais são um dos instrumentos de financiamento cultural mais importante do Estado, por serem transparentes, democráticos, e descentralizados”.

A Secretaria de Cultura está presente nos 27 Territórios de Identidade, e o escritório Bahia Criativa tem levado atividades de formação, assessoria técnica visando orientar os proponentes a buscarem formas de financiamento como: apoio direto, crédito, crowdfunding e além é claro de buscar a própria subsistência, com a venda de ingressos, CDs, DVDs, livros e outros produtos culturais.

Esses dados foram responsáveis pela inserção da Bahia no cenário nacional e internacional, fazendo com que uma de nossas principais riquezas, a Cultura ande de braços dados com a economia.

Passados 11 anos de sua criação, a conta é a seguinte: quase 200 milhões de reais foram investidos pelo Fundo de Cultura em iniciativas da sociedade civil. Quando criado, entre 2005 e 2006, o Fundo tinha uma lógica diferente da que opera hoje, com as chamadas publicas. “A prioridade que os governos Wagner e Rui deram a cultura ao longo desses 10 anos, consolidam o Fundo, definitivamente, como patrimônio da política cultural do nosso estado”, declara Alexandre Simões, superintendente de Promoção Cultural da SecultBA.

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