Perfis

10/04/2017 09:30

Cultura em Movimento - Perfil: Hugo Canuto

s

Quem: Hugo Brito Canuto
Idade: 30 anos
Atuação: Artista Visual

Qual a criança que não gostaria ser um super herói? Algumas até se contentam com as fantasias. Mas para o menino Hugo Brito Canuto esse universo teria de ser construído de outra maneira. Assim, flechou com a profissão de desenhista para criar seus próprios personagens. “Eu gostava de Quadrinhos, de super heróis. Mas, sempre com o lado místico, mítico, a exemplo de Thor, Conan, novos deuses”. O garoto que desde os sete anos era apaixonado pela mitologia grega, estudou Arquitetura e hoje se debruça exaustivamente sobre as lendas africanas. Em 2007, nasceu o projeto autoral “A canção de Mayrube”, considerado por ele o carro chefe. ”É um universo que criei a partir de outras culturas, Yorubá, Indígena, Inca, Asteca. Tive a liberdade de construir. É um gênero de fantasia mesmo”, define o trabalho todo feito em aquarela. Dono de um traço marcante Hugo não navega em águas mansas. No final do ano passado, influenciado pela comunidade acadêmica decidiu encarar mais um desafio. Meditou, pesquisou, conversou aqui, pediu conselho ali e criou “Contos de Órun Aiyé”, a história dos Orixás contada em 90 páginas no formato de quadrinhos. “ Eu não fiz os Orixás como super heróis. Estou trazendo para a estética do HQ a mitologia, a narrativa, as histórias para que o público jovem tenha esse contato”. Para que os desenhos saíssem da prancheta Hugo lançou mão do Catarse, como é conhecido no Brasil o Crownfunding, ou financiamento coletivo que atraiu 850 doadores em todo território nacional. O lançamento será em agosto. ”Minha realização é dialogar com a nossa realidade, mostrar a diversidade do Brasil, a questão da cultura negra com outro olhar”, diz em tom de preocupação, e mostra que riscar uma folha em branco tem uma função maior do que os olhos veem. “Esse trabalho me deu a certeza de que o que a gente faz reverbera. Tem gente da Nigéria entrando em contato porque estão se vendo. Estou tentando dissolver as cristalizações mentais, os preconceitos” e finaliza, ”Quero ajudar a construir algo que enalteça o que somos como coletividade”.

Conheça outros perfis da série Cultura em Movimento
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.