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17/07/2017 10:20

Cultura em Movimento - Perfil: Paraíba da Viola

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Quem: Antônio Tenório Cassiano (Paraíba da Viola)
Função: repentista
Idade: 75 anos

Muito antes de se tornar o Paraíba da Viola, o menino Antônio Tenório Cassiano, nascido em 25 de julho de 1942, cresceu numa fazenda em Teixeira (PB), onde seu pai trabalhava como agricultor, mas também era poeta, tocador de pandeiro e promovia farras animadas por Odilon Nunes de Sá, Pedro Amorim, Pedro Jacinto, entre outros repentistas que faziam sucesso na época. “Eu sabia que um dia eu também ia cantar. Eu vivia assobiando, quando via um cantador na feira passava o dia todinho sentado assistindo”, relembra Paraíba. No ano de 1975 partiu de sua cidade natal para Conceição do Coité, na Bahia, onde mora até hoje. Na época já era casado com Iolanda Gerônimo, sua mulher há mais de 50 anos. Antes de conquistar espaço como artista, trabalhou em diversas funções, como agricultor, ajudante de pedreiro, carregador de caminhão. Paraíba conta que o sonho de cantar era sabotado pelo alcoolismo, que fez parte de sua vida por muito tempo e o impedia de atingir seus principais objetivos. No início dos anos 90, ele conseguiu se livrar do vício, e conta que nesse momento começou sua profissão. Buscou instrução, aprendeu histórias como as de Inácio da Catingueira, Francisco Romano e outros gênios do povo que deram origem ao cancioneiro popular nordestino. Paraíba se tornou uma figura popular nas rádios e TVs locais da Bahia, venceu concursos e logo passou a viajar pelo estado inteiro, sem perder seu jeito simples. Em sua jornada, Paraíba gravou 2 CDs e presidiu durante seis anos a Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel. O menino que não teve a oportunidade de ir à escola ou aprender a escrever, hoje é convidado não só para shows, mas para dar palestras em colégios e universidades enaltecendo aquilo que ele mais ama: a cultura popular. “Na última palestra que fui dar vi a platéia cheia de aluno e professor e pensei: logo um matuto feito eu vou falar diante deles? Mas daí eu pensei que se eu ia falar pra eles, quem era o professor ali era eu”.

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