Fundo de Cultura

09/08/2017 17:30

Curso sobre Cozinha ancestral é encerrado após percorrer 10 territórios

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Após percorrer 10 territórios de identidade baianos com o curso gastronômico internacional Onjé Darugbô (comida ancestral), a Cozinha Itinerante do babalorixá Roberto Santana (Pai Roberto) encerra as atividades com a realização de um evento aberto ao público, no Quiepe Esporte Clube, em Camamu, nesta quinta-feira (10), a partir das 12 horas. O curso capacitou merendeiras, chefs de cozinha, donos de restaurante e hotéis, quilombolas e donas de casa no preparo de pratos tradicionais como xinxim, sarapatel, caruru, rabada e quiabada, além de contextualizar historicamente como esses pratos foram criados.

Camamu recebeu a última turma, começando no dia 07 (segunda-feira) e o encerramento contará com a participação de autoridades e a entrega dos certificados para a turma de 30 alunos, agora capacitados para oferecer ao público o melhor da culinária ancestral que se desenvolveu na Bahia. “São receitas que estão na minha família desde minha tataravó, escrava, e que foram repassados para minha bisavó, que nasceu quando já vigorava a Lei do Ventre livre. São dois séculos de história”, conta Pai Roberto, que vem recebendo diversos convites para desenvolver a capacitação em outras cidades.

O curso percorreu cidades como Conceição do Coité, Itaberaba, Jequié, Itacaré, Itambé, São Francisco do Conde, Manoel Vitorino e Dias D’ávila, capacitando 300 pessoas. “Muitos chegavam tímidos e iam se tornando mais participativos ao longo do curso. Ao final, tem sido sempre gratificante a resposta das pessoas, muitas delas felizes pelo seu primeiro certificado”. A realização do curso, gratuito, foi possível graças ao apoio do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Bahia. O projeto foi selecionado na linha de Formação e Qualificação dos Editais Setoriais 2016.

“O curso é o desdobramento de uma série de atividades, com apoio do Governo, que desenvolvemos desde 2012, já tendo gravado um DVD – que foi entregue aos participantes do Ojé Darugbô –, participação em evento nos Estados Unidos e agora com o apoio do Fundo de Cultura”, informa Pai Roberto. Segundo ele, os pratos fazem parte também da história do Estado e do País, de um tempo em que os negros escravizados nas senzalas tiveram que incrementar os alimentos que sobravam ou não eram utilizados pela Casa Grande. Provavelmente, a primeira experiência gourmet em terras brasileiras.


De acordo com o superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões a realização do curso e o alcance de 10 territórios destacam o papel do Fundo de Cultura da Bahia na promoção e preservação das tradições culturais baianas e brasileiras. “O FCB, através dos Editais Setoriais 2016 reservou espaço para Culturas Populares, Capoeira, Economia Criativa, Grupos e Coletivos Culturais, Territórios Culturais, Circo, Culturas Identitárias e Populares, promovendo a cultura popular e o que de melhor se faz na Bahia. O trabalho realizado por Pai Roberto não só capacita, como também preserva e projeta a identidade baiana”.



O projeto - “Onjé Darugbô, cozinha ancestral itinerante” visa perpetuar e difundir saberes e tradições da matriz africana. A iniciativa promoveu a qualificação em gastronomia étnica e sua inserção na economia criativa, dando continuidade a uma iniciativa da Associação Civil Filhos de Bárbara de promoção da cultura ancestral negra na Bahia, que teve início com o documentário “Onjé Darugbô, comida ancestral”, realizado em 2015. O programa é composto por dez oficinas com carga horária de 30. A oficina consistiu em aula teórica sobre senzalas da Bahia e do Brasil colônia e império e as condições culinárias da época. O foco principal são os dos 12 pratos apresentados no documentário. A Associação Civil Filhos de Bárbara pode ser contatada através do telefone (71) 4103-2512.



Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) –
Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.

Serviço:
Curso sobre Cozinha ancestral é encerrado após percorrer 10 territórios
Local:
Camamu
Data: Quinta (10)
Gratuito
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