Fundo de Cultura

21/08/2017 14:20

Natas em Solo realiza espetáculo de Nando Zâmbia no Centro de Cultura de Alagoinhas

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Foto: Andréa Magnoni
Já ouviu falar da Baobá? No “Ritual da Árvore do Esquecimento”? Esse ritual foi feito por séculos pelos colonizadores para que homens e mulheres que seriam escravizados, antes de serem retirados de África. Os homens eram forçados a dar nove voltas e as mulheres sete para deixarem suas origens, culturas e religiosidade. Esse é o ponto de partida para GBAGBE, título do trabalho cênico desenvolvido por Nando Zâmbia, com direção de Fábio Vidal e texto de Daniel árcades, que estará em cartaz no dia 24 de agosto, no Centro de Cultura de Alagoinhas – espaço cultural administrado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) – , pelo projeto OROAFROBUMERANGUE, do Núcleo Afro Brasileiro de Teatro de Alagoinhas - NATA.

GBAGBE é uma palavra em yorubá e quer dizer esquecimento. O solo é uma provocação ao sujeito negro, fazendo-o pensar no que é ser negro na contemporaneidade e o “que quiseram que esquecêssemos”, elaborando um pensamento sobre os rituais contemporâneos impetrados em nosso cotidiano que continuam a nos propor o abandono das nossas raízes. O espetáculo estabelece ligações com o ritual da "Árvore do Esquecimento" e traz à cena reflexões sobre o tempo, memória, ancestralidade e contemporaneidade, afirmação e afro-brasilidade.

O espetáculo se constrói na relação entre "cotidiano" e "ritual/encontro", entre o personagem e a "árvore das memórias". Esses dois planos seguem em paralelo até que se torna inevitável o afunilamento e eles se cruzam provocando uma revolução no personagem que começa a ter contato com sua história, a partir de uma nova relação consigo mesmo.  “A nossa história continua viva, mesmo que não percebamos. Gbagbe pretende ser uma alerta para que tenhamos cuidado também com a vida contemporânea. Nossos inimigos hoje estão para além do racismo, a globalização europeizada e americanizada também nos leva a não querer mais entender o tempo, a filosofia, os preceitos e valores através de um mergulho na ancestralidade africana”, descreve Daniel Arcades.

GBAGBE faz parte do projeto Natas em Solos – Seis Olhares Sobre o Mundo, que consiste na investigação, montagem e apresentação de seis solos concebidos e realizados pelos intérpretes/criadores do NATA a partir das pesquisas cênicas individuais destes artistas. As temáticas abordadas por estas investigações surgiram através de experimentos cênicos e inquietações artísticas realizadas em paralelo as construções dos espetáculos do grupo.

A programação começou no último dia 18, e as montagens ficam em cartaz até 27 de agosto, às 20h, com ingressos a R$ 10 e R$ 5,00. O público poderá conferir no Centro de Cultura de Alagoinhas (20 - domingo), Gbagbe de Nando Zâmbia (24 - quinta), As Balas Que Não Dei Ao Meu Filho de Antônio Marcelo (26 - sexta-feira), e Rosas Negras de Fabíola Julia (27 – domingo).

As apresentações fazem parte do projeto OROAFROBUMERANGUE, que tem o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, aprovado no Edital Setorial de Teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), com produção da Modupé Produtora.

Espaços Culturais da SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia mantém 17 espaços culturais geridos pela Diretoria de Espaços Culturais (DEC), e localizados em diversos Territórios de Identidade. Destes, cinco encontram-se em Salvador - Cine Teatro Solar Boa Vista, Espaço Xisto Bahia, Casa da Música de Itapuã, Centro de Cultura de Plataforma e Espaço Cultural Alagados - e 12 nos municípios de Alagoinhas, Feira de Santana, Guanambi, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Mutuípe, Porto Seguro, Santo Amaro, Valença e Vitória da Conquista. Para mais informações, acesse: www.espacosculturais.wordpress.com.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.
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