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14/11/2017 16:00

Cultura em Movimento - Perfil: Larissa Fulana de Tal

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Larissa Santos de Andrade
Nome artístico:
Larissa Fulana de Tal
Idade: 27 anos
Profissão: Cineasta

Filha de dona Anacleide e seu Eurico (no Orum), irmã das pequenas gigantes Helen Caroline e Elana, a menina que cresceu entre a região da Estrada da Rainha e Caixa D’ Água, em Salvador, aos 13 anos teve o primeiro contato com uma sala de cinema, quando existia no Tamoio. A partir deste momento despertou o interesse em entender o contexto da área das produções audiovisuais. A escolha do nome artístico da cineasta surgiu por ter afinidade com o escritor negro Luis Fulano de Tal, quando leu o livro “A noite dos cristais”, do autor. Outro motivo para o nome artístico deu-se através do desejo de reivindicar e provocar acerca da forma como os negros escravizados que não tinham donos eram chamados: Cicrano, Beltrano e Fulano. “Essas identificações ainda hoje são utilizadas para pessoas que não possuem importância, a exemplo de “fulaninha”! Desta forma, o sobrenome é para questionar a quem damos importância”? Ela lembra que a sua formação como espectadora está diretamente relacionada com os filmes que eram apresentados na Sessão da Tarde, quando percebeu a falta de representatividade do povo negro. A inserção no mundo do cinema não considera uma escolha. “O audiovisual tem o poder de estar na sua casa, no seu imaginário, sentar ao seu lado do sofá, ou almoçar com você e entrar na sua rotina e você não perceber”, afirma Larissa. Todavia, a participação no ambiente das produções cinematográficas aconteceu por um conjunto de acontecimentos, entre eles pode-se destacar o contato com a expansão do curso tecnológico de Cinema no ano de 2008, momento que ajudou a aprofundar o seu olhar para este universo e a representação do perfil dos seus trabalhos - fazer a diferença, desmistificar toda essa indústria com padrões enraizados nas relações sociais. “A nossa memória é uma ilha de edição”, define. A artista faz parte de um coletivo – Tela Preta - desde a época da faculdade, este grupo que auxiliou na produção dos filmes “Canções de Liberdade e “Cinzas”, de sua direção. “Ser cineasta negra é olhar atentamente a sua bagagem cultural, especificamente fílmica, e perceber que a indústria cultural manda em nossas ações, e também este é o único produto que temos acesso”. Larissa destaca no cenário do cinema negro os trabalhos de Zózimo Bulbul, Viviane Ferrera, Thamires Santos, Ousmane Sembene, David Aynan, Vinicius Silva, Yasmin Thayna, e tantos outros. Para ela “o cinema é uma ferramenta de construção de discurso e de imaginários”.


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