Carnaval 2018

12/02/2018 23:20

Afoxés e Bloco Afro levam cultura negra pro Circuito Barra/Ondina

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Foto: André Frutuôso

Nesta segunda-feira de carnaval, o circuito Dodô (Barra/Ondina) foi cenário para o desfile de tradicionais blocos afro e afoxés da Bahia. Os Filhos e Filhas de Gandhy e o Cortejo Afro levaram para a orla a, música, a dança, os figurinos, as fantasias e todo legado das entidades,referências tradicionais da cultura afro-brasileira.

O sol estava se pondo atrás do Farol da Barra quando o Afoxé Filhos de Ghandy começou seu desfile. O tapete branco dividiu espaço com espetáculo a parte da luz amarela sob o mar. O Ijexá reinou enquanto a pomba branca sobrevoou milhares de homens de branco gingando e perfumando alfazema. 'Nada melhor que estar perto dessa natureza tão espetacular. Deixa, sem dúvidas, nosso bloco mais bonito. São 69 anos de tradição e é sempre muito emocionante', contou Gilsoney de Oliveira, presidente do bloco.

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Foto: André Frutuôso

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Foto: André Frutuôso

Os foliões com suas contas seguem dançando atrás do trio e cada um com sua história. Valdemar Barbosa, mais conhecido como Pepito da Bahia, trouxe uma sombrinha que ele mesmo construiu. “Isso é um grande enfeite pra mostrar os meus 18 anos de desfile no bloco”, disse. Além da banda dos Filhos de Ghandy, dois convidados especiais participaram do desfile - o cacique Carlinhos Brown e o cantor Jorge Vercillo que estava emocionado. 'É minha segunda vez e é sempre uma emoção gigante estar com essa nação Ghandy', relatou Vercillo enquanto acompanhava, em cima do trio, o gigante tapete branco passar.

Com características semelhantes ao bloco 'irmão', o afoxé Filhas de Ghandy realizou um desfile mostrando a potência e a força das mulheres. Na frente do bloco, a cabocla, personagem importante nas lutas pela independência da Bahia e do Brasil - tema do bloco esse ano. A escolhida pra portar a bandeira da Bahia foi dançarina Patrícia Damasceno. Pra ela foi uma honra representar a luta feminina. 'É um momento marcante na minha vida estar aqui vestida de cabocla nesse bloco que mostra o quão, nós mulheres, somos importante e forte', diz Patrícia.

Mulheres como Cherry Almeida, que faz questão de mostrar escrito no trio os nomes das mulheres homenageadas, Maria Felipa, Joana Angélica, Joana Darc e Maria Quitéria. 'Mostrar o poder dessas mulheres ícones e dessas mulheres, maioria pretas e moradoras de periferia que desfila com a gente é importante demais pra gente. Principalmente aqui na Barra onde ocupar esse espaço é um lugar de resistência', afirmou Cherry.

Cortejo Afro na Barra - Com gritos de 'tem macumbeiro aí', o Cortejo Afro passa afirmando toda sua trajetória em favor das religiões de matrizes africanas. A ocupação da Barra no segundo dia consecutivo pelo bloco é festejada por seus foliões. Luiza da Hora, moradora do Garcia e Joana Santos, do Pirajá, são exemplos disso. Pra elas, esse circuito precisa ser enegrecido. 'Além de ser um circuito perto do mar, esse é um lugar importante de visibilidade', acredita Joana que desfila há cinco anos no bloco.

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Foto: André Frutuôso

Pra quem toca a opinião não é diferente. 'É diferente até a reação das pessoas que se surpreendem e dão respostas muito rápidas com uma energia muito legal nesse circuito', afirma Nanny Santos, percussionista em seu 7º carnaval. E seguiram com os penachos vermelhos na cabeça, elegantemente sofisticados.

Sobre o projeto - Gerido pela Secretaria de Cultura, o Programa Ouro Negro credenciou 91 entidades para o carnaval de Salvador nos segmentos afro, índio, afoxés, samba e reggae de Salvador. Em 2018 o projeto comemora dez anos e ao longo deste período vem apoiando e reconhecendo o legado e a importância da cultura negra para o carnaval, como forma de manter a plasticidade, beleza e identidade desses blocos na avenida, assim como a maior participação da juventude, transmitindo o legado para as novas gerações.

CARNAVAL DA CULTURA - O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura ? uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) ? está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.
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