Carnaval 2018

13/02/2018 00:20

Blocos afros contam história africana e afro-brasileira em desfile no Carnaval Ouro Negro

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Foto: Almir Santos

Os temas dos blocos afros do Carnaval Ouro Negro são um capítulo à parte na grande folia momesca, mais precisamente um capítulo de história africana e afro-brasileira. No penúltimo dia de desfile, no Circuito Batatinha, dezenas de bloco desfilaram e abrilhantaram as ruas do Centro Histórico, reunindo temas relevantes sobre a construção da identidade negra na Bahia.

'Agô, visto branco e não me rendo. Epá Babá' foi o tema deste ano do desfile do bloco afro Ibéji. Vestido com as cores branca e azul, esta última em referência ao orixá Oxalufã, cerca de 800 associados, entre crianças, jovens e adultos, saudaram Oxalá com cantos e danças características das religiões de matriz africana. 'Todos os anos buscamos resgatar a historicidade da diáspora africana como forma de fortalecer a nossa herança e raiz, sobretudo para os mais jovens', explica o diretor de Ibéji, Ivo Viana.

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Foto: Almir Santos

O mesmo objetivo tem o bloco afro Expressão Negra, que neste ano levou para o Circuito Batatinha o tema 'O cortejo das Candaces - rainhas negras e rainhas de Sabá'. A presidente do bloco e historiadora, Nildes Vieira aproveitou a ocasião para explicar para os 300 associados a importância das mulheres negras para a comunidade em que o bloco surgiu. 'Quase toda Saramandaia participa e eu como professora não posso dissociar a nossa história de raiz africana do Carnaval. Tudo estar interligado', ressalta Nildes.

Prova disso é a jovem Laís Almeida, de 16 anos. Desde 2014 ela desfila no bloco e neste ano representou uma das rainhas de Sabá (reino antigo que estaria localizado na atual Etiópia ou no atual Iêmen). 'Se não fosse por esse momento, eu não saberia o significado dessas rainhas para nossa história', diz Laís.

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Foto: Almir Santos

Outro destaque no desfile dos blocos do projeto Carnaval Ouro Negro desta segunda-feira (12) foi o bloco Insabá Mazá (folhas e água em iorubá). A agremiação trouxe o tema 'Os caboclos da terra', em referência às entidades afro-brasileiras. Com alas e fantasias representando o Sol, o fogo e o colorido dos caboclos, o bloco reuniu aproximadamente 200 associados com idades entre 13 e 87 anos. 'Cada cor, cada peça simboliza e reverencia os caboclos. Essa foi a forma que encontramos para dar visibilidade e valorizar nossa cultura afro-religiosa', salienta o diretor artístico de Insabá Mazá, Denys Silva.

Samba no Circuito Batatinha – O bloco Boka Loka já desfila no Carnaval de Salvador desde 1993, mas somente em 2005 levou a comunidade de Massaranduba para um dos circuitos oficiais da festa. Com o tema “O samba nasceu na Bahia”, o bloco arrastou centenas de foliões ao som das banda Samba Trator e Chinelo de Couro. 'O samba é a cara do Carnaval e acho que estamos cada vez mais tomando conta da festa', conclui o presidente do bloco, Raimundo Moreno.

CARNAVAL DA CULTURA – O Carnaval da Cultura é o carnaval da democracia e da diversidade e do folião pipoca, que leva para as ruas, durante todos os dias e circuitos da folia, a mistura de ritmos e gêneros musicais e, principalmente, a estética e a arte de diferentes artistas, grupos e entidades culturais da Bahia. São centenas de atrações e shows gratuitos de afoxé, samba, reggae, axé, pop, MPB, fanfarras e muito mais. É diversão garantida para todos os gostos e estilos no espaço público da rua para alegria do folião. O Carnaval da Cultura – uma realização da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) – está organizado a partir de quatro programas: Carnaval do Pelô, Carnaval Pipoca e Carnaval Ouro Negro. A programação completa de nossa festa está disponível nos sites www.cultura.ba.gov.br e www.carnaval.bahia.com.br.
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