Cultura

14/05/2018 10:10

Santo Amaro comemora 129 anos do Bembé do Mercado


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Comemorações pelos 129 anos do Bembé do Mercado (Foto: Lucas Rosário)

As comemorações pelos 129 anos do Bembé do Mercado reuniram, de 9 a 13 de maio, mais de 44 representações de terreiros de candomblé, comunidade e visitantes, em Santo Amaro da Purificação. A celebração religiosa começou 01 ano após a Lei da Abolição da Escravatura (13 de maio de 1888), e acontece desde 1889. Durante os três dias, além dos rituais religiosos, foram realizadas apresentações culturais de capoeira, samba de roda, nego fugido, maculelê, além de debates, teatro e música.

Antes do início do 'Xirê' (roda de dança para festejar os orixás), na noite de sábado (12), autoridades, personalidades e organizações religiosas foram homenageadas. “Estamos vivendo um momento de muita importância e de união. Foi o povo de terreiro que sustentou esta festa até hoje. E ao povo de santo, que salvaguarda a história e a memória dos terreiros de candomblé neste território, a minha saudação e o meu axé”, reverenciou a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, ao receber uma placa de homenagem. “O Bembé precisa ser comemorado todos os dias do ano. E a grandiosidade dessa festa só reforça o nosso compromisso com seu registro e a salvaguarda desta celebração, que começamos a construir há três anos”, declara o diretor do IPAC, João Carlos Oliveira, que também recebeu homenagens de agradecimento pela realização e patrocínio do evento.

A professora e historiadora Maria Mutti sempre acompanhou e participou da celebração, que considera muito importante para o Brasil, já que fomos o último país do mundo a acabar com a escravidão. “A religião é o Candomblé e Bembé é a festa. Por isso precisamos e merecemos comemorar a nossa dignidade e a nossa liberdade, que é tudo de bom que temos na vida”. “Estou aqui para me juntar ao povo e manter esta tradição”, complementa o estudante Aislan Casaes, morador de Cachoeira, pela primeira vez na festa.

Um dos organizadores do Bembé, José Raimundo Lima Chaves, o Pai Pote, babalorixá do terreiro Ilê Axé Oju Onirê, festejou o sucesso do encontro. “É uma emoção muito grande fazer o Bembé. Além da importância religiosa, cultural, ética e da culinária afro, esta festa é todo conhecimento deixado pelos nossos ancestrais. E tudo isso ganha reforço, agora, porque além de Patrimônio do IPAC seremos Patrimônio Imaterial pelo Iphan”.

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Comemorações pelos 129 anos do Bembé do Mercado (Foto: Windson Souza)

O maior candomblé de rua do mundo, já registrado como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia pelo IPAC, em 2012, pode se tornar Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Conforme explica Hermano Fabrício Oliveira, diretor do departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, foi aprovado o recurso de 100 mil reais, que será destinado, através de um Termo de Execução Descentralizada, à Universidade Federal do Recôncavo.

A partir daí, serão realizados estudos complementares, levantando informações, mobilizando a comunidade para um melhor entendimento do que é o registro, a visão dela sobre o bem cultural, além da produção de um vídeo e um dossiê, que será encaminhado ao conselho consultivo do Iphan para votar a favor ou contra o registro. “Deixo aqui o meu compromisso que antes das comemorações pelos 130 anos do Bembé, em 2019, possamos fazer a entrega do título que traz muito orgulho para a história do povo brasileiro. É preciso destacar que é responsabilidade de todos nós manter este patrimônio cada vez mais vivo e presente”, declarou a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

As comemorações encerraram no domingo (13) com a tradicional entrega dos presentes aos Orixás das Águas. Antes, o cortejo percorreu locais simbólicos da cidade, com cânticos e orações, até a praia de Itapema, quando ocorreu a cerimônia de entrega das oferendas a Iemanjá.

Saiba mais- ‘Bembé do Mercado’ é o sétimo volume da coleção ‘Cadernos do IPAC’. O objetivo da publicação, disponível no site www.ipac.ba.gov.br é informar à sociedade os elementos que compõem o bem cultural chancelado como Patrimônio Imaterial Baiano em 2012, através do Decreto 14.129. Trata da manifestação religiosa realizada todos os anos desde 1889 pelos adeptos do candomblé, comunidade de pescadores e comerciantes de Santo Amaro da Purificação. Começou quando o babalorixá João de Obá armou um barracão, reuniu filhos e filhas de santo, fincou um mastro com bandeira branca e bateu tambores em homenagem aos orixás. A manifestação é um candomblé trazido para rua e realizado também para evitar infortúnios, ampliar a ventura a todos os habitantes de Santo Amaro, renovar o axé e restabelecer a força vital da cidade. Abrange a tradição dos pescadores de oferecer presentes à Mãe D’Água em agradecimento pelas pescarias.
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