Fundo de Cultura

14/11/2018 17:00

NATA apresenta espetáculo OXUM e Fórum IPADÊ no Teatro Vila Velha

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Foto: Adeloya Magnoni

O Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA) encerra as atividades do projeto OROAFROBUMERANGUE, aprovado no Edital do Fundo de Cultura e de Apoio a Grupos e Coletivos Culturais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), com mais cinco apresentações do espetáculo Oxum, de 22 a 25 de novembro, no Teatro Vila Velha, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h, com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

O espetáculo conta um itan africano que através de um levante organizado e liderado por Oxum, às mulheres foram convocadas a secar o mundo, deixando-o infértil e desequilibrado. Para que todos compreendessem a importância das mulheres na concepção e organização do mundo.

A homenagem a essa Yalodê – cargo dado a mais importante entre todas as mulheres da cidade – não é só uma biografia, mas uma investigação para expor características de Oxum que não são faladas. Atributos presentificados em personagens atuais: uma linguista, pagodeira, entre outras.

Na dramaturgia aparecem quatro qualidades de OXUM: Opará – Justiceira e guerreira; Okê ou Loke – caçadora; Abotô ou Yaboto – é a origem de Oxum, relacionada ao parto e ao nascimento e ao encantamento; e Ijimu, a feiticeira e senhora da fecundidade. Faz-se ainda referência as Yami, mãe ancestral, síntese e geratriz do poder feminino. Na poética do Nata, cada Oxum é interpretada pela atriz que tem o arquétipo correspondente a qualidade. Para escolher essas qualidades, a voz – o lugar de fala – das atrizes se tornou algo importante. Oxum é um mergulho no autocuidado entre mulheres negras.

Oxum – divindade ligada ao amor, ao encantamento, também é guerreira e é senhora da fecundidade - convoca as divindades femininas para darem um basta nos homens, que estavam concebendo o mundo sem elas e as colocando apenas em funções de execução.

“Os itans africanos nos mostram que nos períodos de matriarcado as energias eram equilibradas. Quando o patriarcado assume passa a alijar a mulher e em repúdio a este alijamento as mulheres secaram o mundo e este se tornou infértil. Oxum é um arquétipo dessa feminilidade revolucionária, de poder, de espaço de luta e ação”, explica Onisajé (Fernanda Júlia), diretora artística do NATA.

A montagem é um levante contra o feminicídio negro e a invisibilização da mulher negra na contemporaneidade. “Lugar de fala não é só o lugar que se está falando, mas a visibilização e legitimação desta fala, citando aqui a filósofa Djamila Ribeiro. É o que estamos propondo em Oxum. É a mulher falar de si, por si e sobre si”, descreve Onisajé, ao reforçar que a sociedade precisa visibilizar essas vozes femininas negras.

O coreógrafo Zebrinha, que divide a direção com Onisajé, fala que a encenação apresenta a mulher em seu lugar de força e autonomia, "um lugar de onde as mulheres estão a traçar o próprio destino e a apontar caminhos para um mundo melhor. O espetáculo não exclui os homens, antes os coloca num lugar de escuta necessário ao amadurecimento da relação entre os gêneros, tendo o diálogo como caminho da compreensão e da colaboração mútua para o equilíbrio da vida”.

Musicalidade – Os espetáculos do NATA tem forte presença de atabaques e instrumentos percussivos. Em busca de aprofundar a poética musical do grupo foram convidados a cantora e preparadora vocal Joana Bocannera e o compositor, diretor musical e músico Maurício Lourenço, que criaram uma trilha com bases afrocentradas e afrofuturistas, promovendo a descolonização da voz e busca a ancestralidade negra.

No dia 25, ocorre uma sessão especial às 16h, com preço popular (R$ 20 inteira e R$ 10 meia). Além da montagem, o NATA realiza nesse mesmo dia 25 de novembro, às 17h, o V IPADÊ – Fórum NATA de Africanidade, com a temática “Cadê a mulher negra para a gente ver? Feminilidades e representatividade”. O evento se estabelece como uma atividade “teórico-internacional” entre os estudos dos artistas do grupo, a Comunidade de axé, a comunidade em geral e os acadêmicos com temáticas afins ao debate de raça e identidade.

Participam do encontro Adriana Quilombos, mulher negra, ekedi filha de Oxum e historiadora formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC; e Fran Demétrio, mulher trans, negra, filha de Oxum, doutora em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA, professora adjunta e pesquisadora da UFRB. Este encontro coroará todo o processo de pesquisa sobre feminismo negro e a divindade Oxum desenvolvido para a montagem Oxum.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br
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