Fundo de Cultura

05/02/2019 15:00

Digitália leva cerca de 4 mil pessoas à Concha Acústica do TCA

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Foto: Rafael Vilela

O Digitália 2019, que nesta terceira edição teve o tema “Da Tropicália à Digitalia: a cultura no Brasil disruptivo”, levou cerca de 4 mil pessoas à Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), na noite deste domingo (03), em Salvador. Pessoas de diversos gostos e idades lotaram o espaço para conferir a DESconferência com Gilberto Gil, Russo Passapusso (BaianaSystem), Dríade Aguar (Mídia Ninja), Sergio Amadeu (UFABC), André Lemos (UFBA) e Messias Bandeira, que debatetam aspectos da cultura digital no país. A abertura ficou por conta do VJ Gabiru e o projeto Ludotecnia.

O cantor e compositor Gilberto Gil, um dos personagens principais do movimento tropicalista e que também já foi Ministro da Cultura, enfatizou como enxerga o cenário atual da influência da internet no país e destacou que a sociedade precisa seguir pensando no comportamento no presente para mensurar o futuro. “A continuidade da luta é o próprio sentido da história”, disse. E completou: “É como se tivéssemos aberto a porta do inferno, mas essas portas sempre estiveram abertas”, refletiu sobre o contexto político nacional. E finalizou: cantando “minha ideologia é nascer cada dia. E a minha religião é a luz da escuridão”.

O professor e pesquisador André Lemos destacou que precisamos estar atentos à performance dos algoritmos e como irá “nos afetar sempre, para fins mercadológicos e cognitivos”. “Agora as pessoas vão ficar em bolhas. Precisamos ir da Digitalia à Tropicália”, destacou, ao falar sobre a importância de olhar as referências culturais do passado. “O nosso desafio foi sempre um movimento de luta. Estamos em momento similar. Uma onda conservadora muito grande. Precisamos resgatar esse espírito e injetar esse espírito na internet”.

Messias Bandeira, referência da cena da cultura nacional e responsável pela realização do Digitália, fez a mediação do diálogo, relembrando, por exemplo, a importância do marco civil da internet e “como parece que voltamos ao básico”. “Há avanços no campo da cultura e de repente se apaga. É preciso ter memória desse país. E esse momento tem ligação com o legado de Gil e tudo que foi pensado para o Brasil nestes últimos anos". A noite de celebração do Digitália 2019 contou ainda com shows da orquestra de cumbia Sonora Amaralina, Edgar (com participação de Russo Passapusso) e a banda baiana Afrocidade, que finalizou as apresentações e deixou o público eufórico.

De 30 de Janeiro a 03 de Fevereiro o Digitália promoveu workshops, debates, exposição, shows e diálogos sobre cultura. Foram cerca de 900 pessoas inscritas para as atividades com entrega de certificado. A iniciativa financiada pelo Governo do Estado da Bahia, através Fundo de Cultura, Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, teve festival, congresso e observatório internacional de música, ocupando o Instituto Goethe, na Vitória, o Largo Pedro Archanjo, no Pelourinho, o Mercadão C.C, no Rio Vermelho e a Concha Acústica do TCA, no Campo Grande.

Shows – "Isso aqui é uma conexão total com os ancestrais. Vir para a Bahia é uma missão de reconexão com as minhas raízes e com a africanidade em si", ressalta a DJ Brasiliense Odara Kadiegi, que mora em São Paulo e foi convidada para tocar na Pedro Arcanjo. A cantora Lívia Nery, uma da referências da nova geração de artistas baianos, destaca que o Digitalia é importante "por ser idealizado por cabeças que de fato pensam a relação da música com a tecnologia e com o mundo digital". "É muito genuína. E vem de uma vontade de debater e expandir o debate ao âmbito universitário e acadêmico para a fruição e consumo da música”.

Doações de livros – Cerca de 3 mil livros foram arrecadados pelo Digitália 2019. As pessoas interessadas em assistir a DESconferências tiveram de trocar livros com temática infantis ou juvenis por ingressos. Todo o material será distribuído para bibliotecas de comunidades de Salvador, nos bairros da Liberdade, Calabar e Alto de Coutos.

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Artística e Cultural e Editais Setoriais.

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