Carnaval

05/03/2019 23:40

Largo Tereza Batista se torna palco do hip-hop no Carnaval do Pelô

g
Foto: Lucas Rosário / SecultBA

É inegável que o Carnaval do Pelô é uma folia para todas as idades e todos os gostos. Mas hoje, foi a vez da galera do hip hop tomar conta do Largo Tereza Batista e apresentar as raízes desse movimento cultural e musical. Quem deu a largada foi o grupo Opanijé, que preparou um show especial em homenagem ao Mestre Moa da Katendê, morto em outubro do ano passado. Em seguida, foi a vez do rapper Negro Davi e finalizando a noite, a banda O Quadro.

Este é o segundo ano que o grupo Opanijé participa da folia no Pelourinho e levou para o palco um repertório no qual dialoga o rap com ritmos carnavalescos, a exemplo da música “Eu sou negão”, de Gerônimo. “O rap deixou de ser uma música alternativa para se tornar um fenômeno mundial. Estar na programação do Pelô é uma forma de dar oportunidade pra quem busca visibilidade, além de mostrarmos um trabalho que realizamos durante o ano todo”, destaca Lázaro Erê, que integra o grupo ao lado de Rone DumDum e Dj Chiba.

Em dezembro do ano passado, o Opanijé (nome que faz referência ao toque sagrado entoado para o orixá Omolu) lançou um clipe da música “Moço Lindo do Badauê”, em homenagem ao Mestre Moa do Katendê. A produção audiovisual foi realizada ao lado do poeta Nelson Maca e dos rappers Wall, Aspri Rbf e Xarope Mc.

No show desta terça-feira, eles tocaram pela primeira vez a canção ao vivo e destacaram a importância de manter viva a figura e a obra de uma das figuras mais emblemáticas da cultura afro-brasileira. “Essa homenagem tem que acontecer o tempo todo, não apenas no Carnaval, pra permanecer uma memória viva, pra que a obra dele siga circulando”, destaca o professor e poeta Nelson Maca.

Após a apresentação do Opanijé, foi a vez do o rapper Negro Davi misturar o samba de roda com o rap baiano, apresentando um show carregado de influências africanas. “O rap ganhou força no Carnaval do Pelô deste ano, passou de duas atrações para cinco. Temos muito o que comemorar essa ampliação e reconhecimento da cultura de periferia, movida especialmente pela juventude negra”, ressalta o produtor e apresentador do programa Evolução HipHop na Rádio Educadora FM 107.5, DJ Branco.

Para Freeza, um dos MCs da banda O Quadro, a diversidade musical no Carnaval do Pelô condiz com a cultura baiana. “Esse Carnaval é grandioso e poder estar aqui contribuindo musicalmente com a festa é muito importante para a banda”, disse. Esta é a segunda vez que o grupo de Ilhéus se apresenta na folia e fizeram um show focado no segundo álbum, “Negô Roque” lançado em dezembro do ano passado.

Carnaval da Cultura – É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. E é também a preservação do patrimônio cultural, com o apoio ao carnaval tradicional dos mascarados de Maragojipe. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui! Confira mais fotos no Flickr: https://goo.gl/6c7RT5

Repórter: Juliana Dias
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.