Fazcultura

05/11/2019 11:00

Jayme Fygura estreia exposição inédita na Virada Sustentável

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Foto: Marisa Vianna

O artista plástico Jayme Fygura, há mais de 27 anos uma das imagens mais marcantes das ruas de Salvador, conhecido pelos trajes escuros que lembram uma armadura, e o rosto sempre encoberto por uma máscara, apresenta a exposição "EXUS" durante a Virada Sustentável. O acervo inédito, criado especialmente para o Festival, traz sete máscaras de Exu, feitas em placas de aço galvanizado, e ainda 12 fotografias de Marisa Vianna, mostrando um pouco do processo criativo. A mostra será aberta no dia 08, às 16h, e fica em cartaz durante os três de Virada, no Museu de Arte da Bahia – MAB, com visitação gratuita e horário especial de funcionamento – estendido ao turno da manhã.

“Eu tive a liberdade de criar o que quisesse. Então, tô fazendo aquilo que vem na minha visão sobre as cabeças de Exu, que são guerreiros do passado. E são, justamente, os modelos que eu gostaria de usar e sair por aí, mas não posso por conta das cinco costelas quebradas”, contou Jayme, que foi atropelado em 2016. “Eu fiz como objeto de arte, em tamanho bem maior e mais pesado, para usar como uma obra em qualquer local. Nesse formato, dá pra eu ultrapassar os limites e trabalhar mais os processos da imagem”, explicou.

O processo criativo durou apenas 21 dias e foi todo documentado por Marisa Vianna - a exposição também irá exibir vídeos com o artista em atuação no seu sarcófago. “Pra mim, basta sentar, pegar o material e, de repente, a imagem vem. Eu nem rabisco papel nem nada. Vai tudo se encaixando e, de repente, surge a imagem. É um trabalho espiritual, vem na criatividade”, destacou.

O MAB também recebe a exposição “Caretas - Uma Expressão Ancestral”, reunindo 20 obras, feitas em papel machê, por mestres careteiros de Praia do Forte. A mostra – que é um oferecimento da CMPC Brasil - resgata uma tradição vinda desde os tempos da escravidão, quando, no Carnaval, os senhores permitiam aos escravos se expressarem culturalmente e as caretas eram uma forma de cultuar os deuses e divindades, e também de assustar os filhos dos senhores de engenho, que residiam na Casa da Torre, no Farol Garcia D'Ávila, em PF. Entre os expositores, Mestre Ulisses, um dos careteiros mais antigos da região e que também irá ministrar uma oficina de confecção de máscaras.

E o subsolo do Museu de Arte da Bahia ainda recebe a exposição “Deformidades: Outras Monstruosidades Possíveis”, reunindo a artista visual Tati Cavalin, a artista visual transvestigenere e performer JeisiEkê, e o artista e cientista Dr X, com instalação, esculturas, desenhos e performances que defendem a igualdade de gêneros e a erradicação do preconceito. Na mostra, o público é convidado a experimentar e vestir os objetos escultóricos, criados a partir de argila, metal, sucata, papel ou tecido, mesclando técnicas como colagem, costura e pintura, tornando, o corpo, a própria obra de arte e chamando a atenção para o declínio da indústria têxtil e a sua necessidade de ressignificação.

Já o Palacete das Artes abre as portas para a exposição “Catadoras de Luxo - Heroínas (In)visíveis”, com forte crítica  social, destacando a importância das catadoras de lixo como agentes ambientais e a da profissão como fonte de renda para diversas famílias. O projeto - multidisciplinar e integrado com educação ambiental, fotografia, artivismo e direitos humanos - reúne 12 fotografias de catadoras de Salvador. “Somos caracterizadas, pela sociedade, de uma maneira muito ruim. E, mesmo com tantas barreiras e falta de consideração, conseguimos dar um sorriso. Ali tem mãe, que sustenta a sua família com o lixo da sociedade. O catador de rua e a catadora é resistência”, afirmou a catadora Annemone dos Santos.

E as exposições já em cartaz no Palacete também integram a programação da Virada: “Narrativas Polifônicas” - exposição das fotografias do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, “A Salvador de Adenor Gondim: O fotógrafo da ventania”, “O Preço do Sorriso”, de João Neto e o acervo permanente de Mario Cravo Jr. Graças à parceria com a Diretoria de Museus do Estado – Dimus/Ipac, o Festival ainda contará com a programação de exposições, palestras e oficinas do Centro Cultural Solar Ferrão, Museu Tempostal e Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica.
 
Cultura e conexões urbanas
– A Virada Sustentável será realizada de 8 a 10 de novembro, com uma programação inteiramente gratuita, reunindo palestras, paineis e rodas de conversa; oficinas diversas para adultos e crianças; feira vegana e feiras de arte, artesanato, antiguidades e economia criativa; programação infantil; espaço zen com atividades de saúde e bem estar; apresentações de teatro, dança e circo; Mostra Itinerante de Cinemas Negros; entre outras atividades. Foram mais de 570 projetos inscritos via edital e já estão confirmados mais 50 espaços, a exemplo do Passeio Público, Teatro Vila Velha, Largo do Pelourinho, Praça Tereza Batista, Largo Pedro Arcanjo, Largo Quincas Berro D’Água, Praça da Sé, Terreiro de Jesus, Casa do Benin, Espaço Cultural da Barroquinha, Teatro Gregório de Mattos, Praça Lord Cochrane (Garibaldi), Palacete das Artes, Ladeira da Preguiça, Casa Charriot, Lálá Casa de Arte, Zungu Iyagbá (Rio Vermelho), Oliveiras, La Frida Bike (Santo Antônio Além do Carmo), Goethe Institut (Icba) e o Parque da Cidade.

Durante os três dias, serão realizadas ações específicas de descarte de resíduos sólidos, com pontos de coleta seletiva de recicláveis, eletrônicos e rejeitos, em parceria com a LEVE Consultoria Ambiental. Os chamados Pontos de Entrega Voluntária de Resíduos Recicláveis Eletrônicos – PEV e os Pontos de Descarte de Resíduos (recicláveis e rejeitos) – PDR serão devidamente sinalizados e contarão com suporte de voluntários, orientando o público sobre o correto descarte. A ação incluirá, também, arrecadação de eletrônicos em bom estado, assim como roupas, donativos e alimentos para doação a instituições filantrópicas de Salvador. Já os descartados recicláveis serão encaminhados às cooperativas de reciclagem da cidade.

A Virada também contará com pontos de troca, doação e retirada de livros novos, usados ou restaurados, espalhados pelos principais centros pulsantes do Festival, em formato de casinhas feitas de madeira reciclada. O projeto “Sustentando a Leitura” é uma parceria de Yvan Barnei com o técnico em restauro Nivaldo Macalé, criador do movimento “Livro que te quero Ler”, e tem o objetivo de fomentar o hábito da leitura e também a sustentabilidade.

O Festival foi criado em 2011, em São Paulo. De lá pra cá, reuniu um público de mais de 7,7 milhões de pessoas em 25 edições, passando por sete estados e nove cidades, como Rio de Janeiro, Manaus e Porto Alegre, entre outras, além de Salvador - em 2016 e no ano passado.

Em sua 3ª edição na capital baiana (a primeira foi em 2016), o Festival, via Lei de Incentivo à Cultura, tem o patrocínio da CMPC e Uber Eats, e o copatrocínio da Liberty Seguros. Conta também com o patrocínio da Braskem e do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o apoio institucional da Prefeitura Municipal do Salvador, e a parceria do Salvador Meu Amor. A Virada Sustentável é uma correalização do Instituto Virada Sustentável e Rede AMO de Comunicações Socioculturais, e realização da DaCultura Projetos e Soluções, e da Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania e Pátria Amada Brasil e Governo Federal.

FAZCULTURA – Parceria entre a SecultBA e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), o mecanismo integra o Sistema Estadual de Fomento à Cultura, composto também pelo Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). O objetivo é promover ações de patrocínio cultural por meio de renúncia fiscal, contribuindo para estimular o desenvolvimento cultural da Bahia, ao tempo em que possibilita às empresas patrocinadoras associar sua imagem diretamente às ações culturais que considerem mais adequadas, levando em consideração que esse tipo de patrocínio conta atualmente com um expressivo apoio da opinião pública.


Serviço

Virada Sustentável Salvador 2019 – de 08 a 10 de novembro

Exposições:
EXUS (obras de Jayme Fygura e fotografias de Marisa Vianna) - MAB (abertura dia 08, às 16h)
Caretas - Uma Expressão Ancestral – MAB
Deformidades: Outras Monstruosidades Possíveis – subsolo do MAB
Catadoras de Luxo - Heroínas (In)visíveis – Palacete das Artes
“Narrativas Polifônicas” - exposição das fotografias do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, “A Salvador de Adenor Gondim: O fotógrafo da ventania”, “O Preço do Sorriso”, de João Neto e o acervo permanente de Mario Cravo Jr – Palacete das Artes

Visitação: MAB: sexta (08), das 16h às 19h | sábado e domingo (09 e 10), das 10h às 18h
Palacete das Artes: sexta (08), das 13h às 19h | sábado e domingo (09 e 10), 14h às 18h.


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