Carnaval 2020

22/02/2020 22:00

Nanotrios e microtrios levam diversidade musical ao Carnaval do Pelô

f
Rixô Elétrico / Foto: Rebeca Thaís


Enquanto os microtrios contam com a força dos motores, os nanotrios dependem da propulsão humana para desfilarem, mas, quando o assunto é irreverência e criatividade musical, não há diferenças entre eles. Quem esteve no Circuito Batatinha, no Terreiro de Jesus, na tarde deste sábado (22), dançou e pulou atrás de dois nanotrios e dois microtrios, que garantiram a diversidade musical do Carnaval do Pelô levando os clássicos dos antigos Carnavais, além do samba, frevo, axé e até o tradicional forró pé-de-serra.

Com o apoio do Governo do Estado, o Rixô Elétrico foi um dos nanotrios que desfilaram neste sábado, sob o comando da guitarra baiana de Fred Menendez e Banda, fazendo uma homenagem aos 70 anos do trio elétrico. Para este Carnaval, o carrinho musical empurrado com o pedal de uma bicicleta ganhou nova roupagem, com uma pintura que lembra a antiga Fobica de Dodô e Osmar.

Discípulo de Osmar Macedo, a proposta de Fred Menendez e seu Rixô Elétrico é apresentar os clássicos, resgatando a essência e a origem dos trios elétricos. “O Carnaval não começou em 1950 com a Fobica, ele já existia antes nos bailes, com as fanfarras, mas a Fobica deu inicio ao Carnaval que conhecemos hoje com as máquinas sonoras e mudou tudo”, lembrou Fred.

Acompanhado pelas suas filhas, Fred também destacou a profissionalização e a segurança da folia no Pelourinho.“Aqui tem essa preocupação de fazer um carnaval eclético e a cada ano mais profissional, organizado, diversificado e sem violência, é isso que faz do Carnaval do Pelourinho essa coisa maravilhosa”, disse.
 
g
Bike Axé / Foto: Rebeca Thaís
 

Além do Rixô Elétrico, o outro nanotrio a desfilar na tarde de hoje foi o Bike Axé, com a Banda Rasta Groove, que apresentou repertório diversificado indo desde o afoxé de Gerônimo e os frevos de Moraes, até os primeiros sucessos do axé da década de 1990.
 
h
Rural Elétrica / Foto: Rebeca Thaís

Já no início da noite, por volta das 19h, a cantora Maira Lins entrou no Circuito Batatinha com o seu microtrio Boteco Elétrico, fazendo referência a esses “templos do samba”, os botecos, onde o samba de raiz resiste e existe. Este ano, além de elétrico, o Boteco está sustentável, com adereços e decorações feitas de materiais recicláveis como garrafas pet e cápsulas de café expresso. No repertório, como já era de se esperar, canções de Clara Nunes, Walmir Lima, Xande de Pilares, dentre outros sambistas baianos e brasileiros.
 
f
Maira Lins e Buteco Elétrico / Foto: Rebeca Thaís
 

Folião assíduo do Carnaval do Pelô, Adenilson Santos garante que vem todo ano conferir as atrações das praças e das ruas, e aproveitar “um Carnaval mais tranquilo, pra quem não gosta daquela folia agitada”. Ele também aprova a diversidade musical e o resgate dos antigos Carnavais da folia no Centro Histórico.“Há uma imposição pela mídia de determinado cantores e estilos, de músicas que no ano seguinte ninguém lembra mais, mas têm músicas que são eternas como as de Armandinho, Moraes Moreira, Banda Mel, e essas músicas a gente escuta aqui no Pelourinho”, concluiu.

Carnaval do Pelô – Realizado pelo Governo do Estado, o Carnaval do Pelô traz cinco dias de folia para o Centro Histórico de Salvador, com atrações que contemplam os diversos ritmos e tribos. O Largo do Pelourinho será palco dos principais shows da festa, promovendo encontros musicais variados para marcar a memória de cada folião. Nos largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água a mistura traz axé, samba, orquestra, antigos carnavais, rap, afro, guitarra baiana, arrocha e reggae, além de bailes infantis para unir toda a família. As ruas do Pelô mantêm a tradição dos desfiles dos grupos e bandas, sempre em clima de animação e muita paz. Tudo isso torna o Pelourinho o circuito mais diversificado e democrático da folia.

Carnaval da Cultura – Fundamentado nas matrizes que construíram a nossa história, expressadas através das danças e musicalidade dos blocos afro e dos afoxés, na alegria e no gingado do samba, na força e balanço do reggae, que integram o Carnaval Ouro Negro em 2020. Com a diversidade de gerações e de ritmos que ocupam os palcos do Carnaval do Pelô, e que ainda toma conta das ruas mantendo a tradição que une os foliões no Centro Histórico. Por meio destes projetos de grande participação comunitária e popular, o Carnaval da Cultura, que integra o Carnaval da Bahia, do Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, dá continuidade às políticas de preservação e democratização na maior folia do mundo, quesegue colorida, diversa e com o espírito folião que contagia todo baiano.

Repórter: Gabriela Fonseca
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.