Fazcultura

13/10/2020 16:00

Natura Musical e Governo do Estado da Bahia apresentam “Samba de Santo - resistência afro-baiana”

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Géssica Neves comandando a ala de dança do Bankoma durante o desfile na comunidade de Portão (Foto: Amanda Oliveira)

Religiosidade, ancestralidade, poder, musicalidade, dança, estética. Visibilidade, potência, empoderamento. Rainhas-Deusas, Reis-Deuses. ‘Samba de Santo - resistência afro-baiana’, primeiro longa-metragem do músico e produtor Betão Aguiar, tem estreia marcada para outubro, na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Filmado em fevereiro deste ano, dias antes e durante o carnaval baiano, o filme acompanha os bastidores de alguns dos tradicionais terreiros de candomblé de Salvador que deram origem a três dos principais blocos afros da cidade: Bankoma, Cortejo Afro e Ilê Aiyê. O projeto tem patrocínio do Natura Musical e do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia

 Em uma hora e vinte minutos de filme, o telespectador poderá acompanhar a intimidade dos grupos, tanto nos preparativos quanto nas apresentações que aconteceram em diferentes circuitos, durante os seis dias da festa. Visitando de perto não apenas a beleza, a musicalidade, a alegria e a fé destas pessoas, mas também a realidade paradoxal, difícil e encantadora, que muitas vezes passa despercebida aos olhos de quem os vê desfilando na avenida. Respeito, nobreza, amor ao próximo e autoestima - valores ensinados e passados de geração a geração através do secular sistema matriarcal do ‘povo de santo da Bahia’, muito bem ancorado pelas Mães: Hilda Jitolú, Mirinha de Portão e Santinha de Oyá – são ferramentas que estas comunidades afro-baianas usam para continuar resistindo e mantendo suas mensagens vivas nos, cada vez menores, espaços dedicados ao chamado “carnaval do ouro negro”. É um grande momento de visibilidade, que eles aproveitam para mostrar todo o trabalho social que é desenvolvido ao longo do ano dentro dos terreiros, e que há décadas vem transformando a vida das populações dos bairros da Liberdade, Portão e Pirajá, onde atuam os blocos.

Aulas de percussão, dança, costura e tecelagem são apenas algumas das atividades oferecidas para crianças, jovens, adultos e idosos que frequentam as sedes. Com intuito não apenas festivo, os três blocos exercem papel fundamental na reapropriação cultural, enaltecendo a negritude, a beleza, a história, a religiosidade, toda riqueza e força dos antepassados africanos, passado que infelizmente não se ensina nas escolas e que é pouco divulgado. A música é a linguagem principal, embora os tecidos e estampas tenham papel fundamental para contar a narrativa escolhida por cada bloco ano a ano. “Minha mãe fazia rechilieu e bordados e pra fazer isso você tem que pensar antes todo um desenho. E decidi fazer isso que ela fazia só que nos tecidos, sempre contando histórias e escrevendo nos panos”, diz Alberto Pitta, artista plástico, fundador do Cortejo Afro e responsável pelo figurino de vários blocos desde os anos 90, quando foi diretor do Olodum no auge da chamada axé music. “A gente procura sempre fazer o @naturamusical #PorUmMundoMaisBonito #NosEncontramosNaMúsica melhor, buscando a qualidade no trabalho, no produto, porque as pessoas exigem e isso é importante”, completa. Qualidade e interesse estético lançados primeiramente pelo Ilê Aiyê, vale dizer, de quem os blocos que vieram depois acabaram herdando.

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Betão Aguiar, Bruno Graziano e Raoni Gruber, durante as filmagens no Terreiro São Jorge Filho da Goméia (Foto: Amanda Oliveira)

 

Entre formas elegantes e educadas de protesto, contadas através da música e vestimenta, em um encontro harmonioso entre tradição e modernidade, “Samba de Santo - resistência afro-baiana”, nos sopra também esperança ao mostrar o protagonismo da mulher, o respeito às questões de gênero e o acolhimento sem preconceitos de qualquer pessoa que precise de ajuda, presentes no cotidiano desses grupos. Modelos de cidadania avançados, equilibrados socialmente e economicamente. “O que deixamos de aprender com essas experiências coletivas que estão aí há séculos habitando este planeta de forma sustentável, que veem na natureza a fonte da cura, que se alimentam de sua própria cultura, é muito significativo. É uma pena que a gente, enquanto brasileiro, tenha se distanciado e não conheça a fundo traços tão importantes da nossa genealogia”, comenta Betão Aguiar.

 

“Quando você conhece um bloco afro que tem como missão elevar a autoestima de nós mulheres negras e o senso crítico, que elege uma deusa negra, é de extrema importância pra gente. Poder falar para as nossas crianças e mulheres que elas são deusas, que nosso cabelo é lindo, que ela pode mesmo deixar o seu black todo ouriçado, passar um batom vermelho, uma roupa colorida!”, conta Gleicy Ellen, eleita Deusa do Ébano do Ilê Aiyê 2020.

“Samba de Santo - resistência afro-baiana” faz parte do acervo ‘Mestres Navegantes’, projeto que Betão Aguiar iniciou há dez anos ao pesquisar e registrar a cultura popular brasileira pelo viés da música, com seis edições lançadas até aqui. A mais recente, dedicada à Bahia, traz discos de Capoeira, Chegança e Candomblé, além de curtas-metragens com Bule-Bule, Dona Cadu e as Cheganças femininas. A ideia inicial, quando Betão chegou a Salvador este ano para continuar com os registros dos grupos de candomblé iniciados em 2017, era o de filmar mais um curta-metragem sobre as diferentes nações ainda existentes no estado. Mas os caminhos foram se abrindo e, com a permissão e as bênçãos dos orixás, voduns e nksisis, acabou encontrando, de forma mágica e intuitiva, um material bem mais profundo e rico. O que fez bastante sentido com o que vinha buscando para a evolução do acervo para outras linguagens. “Reconhecer estes mestres e grupos como agentes da cultura contemporânea e não com um olhar folclórico que os deixa fadados ao passado, nos faz perceber o quanto a nossa cultura é viva e está em constante transformação. E quanto precisamos aprender com eles nesse momento que estamos vivendo”, complementa o diretor, indicando o tom político que o filme flerta em muitos momentos.

O longa-metragem conta ainda com depoimentos de Mameto Kamurici, Vovô do Ilê, Dete Lima, Val Benvindo, Vivaldo Benvindo, Aloisio Menezes, Veko Araujo, entre outros personagens integrantes dos grupos. O filme tem a fotografia assinada por Bruno Graziano e montagem por Cauê Bravim, que divide também o roteiro com o diretor. Para compor a trilha sonora original, Betão Aguiar convidou os artistas Junix11 + MayHD. Dentro da série de lançamentos semanais que desde setembro disponibiliza o acervo “Mestres Navegantes'' nos canais do @naturamusical #PorUmMundoMaisBonito #NosEncontramosNaMúsica projeto na internet, e que acompanham a estreia do longa-metragem, serão lançados os três discos de Candomblé que fazem parte da 2a edição dedicada à Bahia, no dia 20 de outubro em todas as plataformas de streaming.

 “Natura Musical sempre acreditou na força da música para mobilizar as pessoas. Para refletir esse propósito e dar espaço à diferentes vozes, a plataforma apoia artistas, bandas e projetos de fomento à cena capazes de amplificar debates como a diversidade, sustentabilidade e impacto positivo na sociedade”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

 

Natura Musical Natura Musical: É a principal plataforma de patrocínio da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu cerca de R$ 159 milhões no patrocínio de 467 projetos - entre CDs, DVDs, shows, livros, acervos digitais, documentários e projetos de fomento à cena. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do País e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais. Em 2020, o edital do programa selecionou 41 projetos em todo o Brasil. A plataforma digital do programa leva conteúdo inédito sobre música e comportamento para mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente da música brasileira, com cerca de 120 shows ao longo de 2019.

 

FAZCULTURA: Parceria entre a SecultBA e a Secretaria da Fazenda (Sefaz), o mecanismo integra o Sistema Estadual de Fomento à Cultura, composto também pelo Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). O objetivo é promover ações de patrocínio cultural por meio de renúncia fiscal, contribuindo para estimular o desenvolvimento cultural da Bahia, ao tempo em que possibilita às empresas patrocinadoras associar sua imagem diretamente às ações culturais que considerem mais adequadas, levando em consideração que esse tipo de patrocínio conta atualmente com um expressivo apoio da opinião pública

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