Fundo de Cultura

30/04/2021 13:10

Curta-metragem Áurea estreia no dia internacional da parteira

áurea

O filme mostra o encontro da parteira Áurea e o médico Áureo, que juntos fizeram mais de 100 partos domiciliares na comunidade do Vale do Capão, distrito de Palmeiras, Chapada Diamantina, Bahia. O encontro reúne duas sabedorias que se fundem, o conhecimento tradicional de Dona Áurea com o pensamento científico de Dr. Áureo.

O curta-metragem Áurea, com 13 minutos, tem a direção de Hewelin Fernandes e terá um lançamento online,no dia 05 de maio, no canal da TV Uneb Seabra, data que celebra o Dia Internacional da Parteira, criado pela Organização Mundial da Saúde em 1991, com o objetivo de homenagear o trabalho das parteiras e enfermeiras da saúde materna.

Segundo o Fundo da População das Nações Unidas as parteiras treinadas oferecem cuidados para milhões de mulheres e recém-nascidos de baixo risco pelo mundo, antes, durante e após o parto. Se o preconceito não fosse tão grande, as parteiras poderiam ajudar a salvar mais de 200 mil  vidas maternas por ano, além de evitar 3 milhões de mortes de crianças antes de 4 semanas.

Contemplado pelo Edital Setorial de Audiovisual de 2019, Áurea foi gravado  em 2020, respeitando todos os protocolos de prevenção da Covid 19. “a pandemia fez a gente mudar nossos planos e até mesmo o roteiro do filme, mantendo assim o máximo de cuidado com os protagonistas do filme que são dois idosos” conta a roteirista, diretora e também produtora Hewelin Fernandes. Com uma equipe pequena, todos moradores do Vale do Capão, o documentário é uma prova que mesmo fora da capital é possível fazer cinema com pessoas da própria região. “É muito importante fazer a roda econômica do audiovisual girar também no interior e valorizar os profissionais locais” afirma Cesar Fernando, diretor de fotografia e montador do filme.

O nascimento do filme Áurea - O curta-metragem nasceu a partir da chegada da diretora no Vale do Capão em 2018. “Eu conheci a Enfermeira Obstetra e Parteira Natalia Andrade, que na época coordenava uma roda de gestantes, ali eu mergulhei nas histórias dos partos, das mulheres, das parteiras e doulas, e mesmo sendo mãe de duas meninas me deparei com um universo totalmente diferente (meus dois partos foram cesáreas e não por escolha)”conta Hewelin.  A diretora começou a pesquisar, ler livros e artigos sobre o assunto e a formatar um projeto, inicialmente de um documentário de longa-metragem, acabou virando um curta-metragem quando ela presenciou um encontro de parteiras na Unidade de Saúde da Família de Caeté-Açú,  “neste dia eu percebi a conexão entre os dois, a Parteira Áurea e o Dr. Áureo, o curta nasce de um abraço entre eles, algo tão difícil e precioso nos dias de hoje”,explica a diretora.  

A parteira Áurea Oliveira dos Santos, de 94 anos, nasceu no Vale do Capão, ela aprendeu a arte de partejar com as vizinhas e amigas. “Pra mim, ser parteira é um dom” afirma Dona Áurea, que não sabe quantas crianças vieram ao mundo amparadas pelas suas mãos. Agora ela já não faz mais partos por conta da idade, mas é muito reconhecida na Vila, tem até rua com o seu nome. Áureo Augusto de Azevedo, de 68 anos, também não faz mais partos. Ele nasceu em Salvador, se formou na Faculdade de Medicina da UFBA, se mudou para o Vale do Capão na década de 1980, e é reconhecido pela comunidade como parteira, no gênero feminino. “Quando cheguei eu era o único médico e elas nunca tinham visto uma parteira homem”conta Áureo que em 2017 recebeu do Ministério da Saúde o título de Comendador da Ordem do Mérito.

O Parto no Vale do Capão - O obstetra françês Frédérick Leboyer diz que “o parto no meio rural é um elemento simbólico, carregado de significados da tradição cultural dos povos tradicionais, que vem sendo ressignificados e reinventados pelas parteiras na relação estabelecida entre cultura e natureza”. Essa afirmação de Leboyer também corresponde ao que é vivido aqui no Vale do Capão. Um lugar que tem as parteiras como um símbolo do seu povo. Colocar num mesmo espaço, no caso do filme, a sabedoria tradicional das parteiras com o conhecimento científico é mostrar também que a vila é um território de nascimento protegido pelos saberes das parteiras e o uso racional da tecnologia, amplamente voltada aos interesses da mulher e sua família. Hoje, no Vale do Capão, 90% dos partos são realizados em casa, segundo dados da Secretária de Saúde de Palmeiras.

Áurea é o primeiro curta-metragem da jornalista Hewelin Fernandes, que assinou o roteiro e a direção de outros três documentários realizados na TVE Bahia. Este ano, o projeto foi selecionado para o Ateliê de Produção de Impacto do Nordeste Lab 2021, “foi muito importante participar desse Ateliê antes mesmo do lançamento do filme, uma oportunidade de pensar qual a contribuição que o filme pode gerar para a visibilidade das parteiras. As parteiras tradicionais são parte da cultura imaterial de vários países até hoje, elas estão em lugares, inclusive, que os médicos não chegam, onde não há hospitais ou maternidades, carregando em si o conhecimento trazido de ancestrais, que transmitem por gerações o trabalho de ajudar a parir”, finaliza Hewelin.

O documentário Áurea será lançado no Canal do Youtube da TV UNEB de Seabra, o filme ficará disponível por 24 horas, durante o lançamento terá uma live , que será mediado pelo CineClube Caeté (cine clube do Vale do Capão), 

com a diretora Hewelin Fernandes, o médico Áureo Augusto, a Enfermeira Obstetra e Parteira Natalia Andrade, que também é funcionária da Unidade de Saúde da Família de Caeté-Açú e com Enfermeira e Parteira da Tradição Mary Galvão que é especialista em Saúde Coletiva e Enfermagem Obstétrica  pela Universidade Federal de São Paulo e Docente do departamento de  Ciências da Vida da UNEB.

Esse projeto foi contemplado pelo Edital Setorial de Audiovisual de 2019, e tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.

Serviço:

O quê: estreia do curta-metragem Áurea

https://www.instagram.com/aureaofilme/

Quando: 05 de maio

Horário:  19hs

Onde: TV UNEB SEABRA

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