Cultura

30/11/2021 16:38

Panorama Internacional Coisa de Cinema exibe cerca de 80 filmes em sua retomada às sessões presenciais

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Carol Garcia/GOVBA

A 17ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema marca seu retorno às sessões presenciais, mas mantém a exibição on-line de quase toda a sua programação. Com filmes, oficinas e debates, o festival acontece entre os dias 1º e 8 de dezembro, no Cine Metha - Glauber Rocha (em frente à Praça Castro Alves) e no site panorama.coisadecinema.com.br.

 

“Ficamos confinados, mas já está na hora de retomarmos, aos poucos, as nossas atividades pela cidade. Ir ao cinema, sobretudo a um cinema de rua, é se encontrar com a nossa cidade, ver o rosto das pessoas, conversar sobre filmes, sobre a vida”, declara Cláudio Marques, idealizador e um dos coordenadores do Panorama. Ele reforça que todos os protocolos vigentes de prevenção da Covid-19 serão adotados.

 

As obras selecionadas para o Panorama serão exibidas nas competitivas Nacional, Baiana e Internacional, em mostras paralelas e nas sessões de abertura e encerramento. São cerca de 80 produções, entre longas, médias e curtas-metragens.

Uma realização da produtora Coisa de Cinema, o festival conta com patrocínio do Instituto Flávia Abubakir e apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Competitiva

Entre os longas que integram a Competitiva Nacional está “A matéria noturna” (RJ), de Bernard Lessa, premiado como obra em finalização no 52º Festival de Brasília. O filme explora as possibilidades geradas do encontro entre uma jovem de Vitória (ES) e um marinheiro moçambicano. O primeiro longa de MadianoMarcheti, “Madalena” (MT/RJ), levou ao Festival de Roterdã os impactos do desaparecimento de Madalena na vida de três pessoas que não se conhecem.

O novo documentário de Eryk Rocha é um dos destaques da mostra. Filmado em preto e branco, “Edna” (SP) apresenta a personagem homônima, uma testemunha do arruinamento das terras em torno da rodovia Transbrasiliana, na Amazônia brasileira. A competitiva traz também a produção baiana “Receba!”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, uma ficção que reúne tipos diversos na busca por uma bolsa com conteúdo ilegal e valioso.

 

Fechando a lista de oito selecionados estãoA felicidade das coisas (SP), de Thais Fujinaga; “Mata” (Brasil/Noruega), de Fábio Nascimento e Ingrid Fadnes; “Os ossos da saudade” (MG), de Marcos Pimentel; e “5 Casas” (RS), de Bruno Gularte Barreto. A mostra tem ainda dezessete curtas-metragens, que serão exibidos aos pares, ou em trio, antecedendo os longas-metragens.

 

Na Competitiva Baiana, 25 filmes de diferentes formatos, gêneros e estilos, oferecem um cenário do cinema realizado nos últimos dois anos. A mostra é composta por 20 curtas e os longas “Açucena” (Isaac Donato), “Àkàrà no fogo da intolerância” (Claudia Chávez), “Genocídio e movimentos” (Andreia Beatriz, Hamilton Borges dos Santos e Luis Carlos de Alencar), “Nós” (Letícia Simões) e “Qual a cor do trem?” (Rodrigo Carvalho e Deniere Rocha).

 

Fechando as competitivas, a Internacional reúne seis longas e 12 curtas produzidos em 26 países dos cinco continentes, trazendo a Salvador filmes inéditos de lugares como Nova Zelândia, Romênia, Burkina-Faso, Síria, Alemanha e Chile. Premiado no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), “Esta chuva nunca vai parar(ThisRain Will Never Stop)”, coprodução Ucrânia/Iraque/Síria/Alemanha, dirigido por Alina Gorlova, estará na mostra. Essa competitiva acontecerá apenas no formato on-line.

 

Abertura

Para dar início à programação, no dia 1º de dezembro será exibido o clássico “Deus e o diabo na terra do sol” (1964), de Glauber Rocha. Lançando um olhar sobre vários tipos de opressão, o longa foi escolhido para evidenciar o cinema como veículo e objeto de resistência. A rosácea da fachada do Cine Metha - Glauber Rocha foi desenvolvida por Rogério Duarte para a identidade visual do filme. “É um símbolo do cinema brasileiro, de sua força e importância”, reforça Marília Hughes, coordenadora do festival.

 

Uma homenagem ao centenário do sambista baiano Riachão, morto em março do ano passado, marcará o encerramento do XVII Panorama, dia 8 de dezembro, quando Jorge Alfredo apresentará o documentário “Samba Riachão”, dirigido por ele há 20 anos. em horário a definir. O diretor conversará com o público ao final da sessão.

 

Também haverá debate com o diretor após a exibição de “O pai da Rita”,novo longa de Joel Zito Araújo, o outro filme de encerramento do festival. Na produção, dois compositores da velha guarda da Vai-Vai (escola de samba de São Paulo) têm a amizade estremecida pelo surgimento da filha de uma antiga paixão de ambos, a passista Rita.

 

Pelo segundo ano consecutivo, o festival realiza o Panorama Convida, que trará “Pela Janela”, de Caroline Leone, vencedor da categoria melhor filme no festival de 2017. A produção convidada pela diretora é “Baronesa”, de Juliana Antunes, contemplado com o prêmio Indie Lisboa na mesma edição. Os dois filmes não serão exibidos no cinema, somente no site.

 

Especiais

Os cineastas John Carpenter e Alain Gomis serão homenageados no festival, com a exibição de três filmes realizados por Carpenter entre 1978 e 1987 e duas obras de Gomis lançadas na década de 2010. A mostra Alain Gomis será realizada com apoio cultural do Consulado Geral da França. O Panorama incluiainda sessões especiais com “Deus tem Aids”, de Gustavo Vinagre, e “NŨHŨ YÃG MŨ YÕG HÃM: Essa Terra é Nossa!”, de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero.

 

As sessões especiais e as mostras-homenagem irão acontecer apenas presencialmente, assim como o lançamento do livro “Pó da estrada: escritos de João Carlos Sampaio”, publicação organizada por Tais Bichara e Flávia Santana, com curadoria de críticas de João Paulo Barreto e Rafael Carvalho. Falecido em 2014, João Carlos foi o primeiro a ministrar oficinas de crítica no Panorama.

 

Nesta edição, a oficina de Crítica de Cinema será mantida no formato on-line e ministrada pela vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Amanda Aouad. O modelo virtual também permanece nos laboratórios de roteiro e montagem. As três atividades têm acesso gratuito e seus participantes já foram selecionados.

 

Instituto Flávia Abubakir- a instituição nasceu do desejo do casal Frank e Flávia Abubakir de dar corpo e ferramentas às suas ações no campo da responsabilidade social. A iniciativa parte da compreensão de que a dignidade e a valorização do ser humano são indispensáveis para todos numa sociedade, e a cultura, a produção e a fruição da arte são essenciais na construção de identidade e os laços da comunidade com a arte e a expressão.

 

Fundo de Cultura - criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura, em articulação com as Secretarias da Cultura e da Fazenda, custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Modelo de referência para outros estados da federação, o Fundo está estruturado em quatro linhas de apoio: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Cultural e Fomento Setorial.

 

SERVIÇO

O que: XVII Panorama Internacional Coisa de Cinema

Quando: 1º a 8 de dezembro

Onde: Cine Metha - Glauber Rocha (em frente à Praça Castro Alves)

E no site panorama.coisadecinema.com.br.

Preço: R$5,00 - preço único válido para sessões presenciais e on-line.

Programação: panorama.coisadecinema.com.br.

 

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