Cultura

12/02/2020 17:50

Banho de Mar à Fantasia traz pré-Carnaval com Larissa Luz, Ilê Aiyê e Ministereo Público


s

Foto: Silas Fernandes

O Banho de Mar à Fantasia, festa pré-carnavalesca que lota a Ladeira da Preguiça e as imediações, no bairro do Dois de Julho, promete levar novamente uma multidão vestida de personagens icônicos para as ruas de Salvador neste domingo, dia 16 de fevereiro.

 

A edição de 2020 da festa, que acontece há mais 90 anos e foi revitalizada na última década por um grupo de moradores e ativistas, traz programação do evento pré-carnavalesco, entre palavras de ordem, serpentinas, glitter e protestos, artistas como a cantora Larissa Luz, a banda de soundystem Ministereo Público, o afoxé feminino Filhas de Gandhy, o rapper Xarope MC, o grupo cultural de juventude Batekoo, as bandas de samba Vai Kem Ké e Assim Que Se Faz, o bloco afro Ilê Aiyê, os Mascarados de Maragogipe e a Fanfarra da Preguiça.

 

A maioria das atrações se dividirão entre o Palco da Praia, localizado na Praia da Preguiça, e o Palco Mirante, situado na Rua Visconde de Mauá. Já os Mascarados de Maragogipe e a Fanfarra da Preguiça serão responsáveis por puxar o cortejo que dá início à festa, saindo da Ladeira Preguiça pontualmente às 12h.

 

Quando chegar ao Largo Dois de Julho, a caminhada passa a ser liderada pelo bloco Ilê Aiyê, que fará a ‘levada’ do retorno, em direção à Praia da Preguiça. O Banho de Mar à Fantasia, que dá nome à festa, vai acontecer nesse momento, no meio da tarde.

 

“Nossa ideia é que a festa seja tão bem-sucedida quanto no ano anterior, mas que a gente dê o peso político necessário, que é o que faz essa atividade existir. Precisamos denunciar o processo de gentrificação e de retirada de direitos das pessoas negras, das tentativas de remoção dos moradores dessa região”, afirma o ativista cultural Marcelo Teles, um dos coordenadores do Centro Cultural Que Ladeira É Essa?.

 

O historiador Marcos Rezende, ativista do Coletivo de Entidades Negras (CEN) e um dos responsáveis pela revitalização do Banho de Mar à Fantasia, também defende que a festa possui uma função social forte, que é garantir os direitos da população negra.

 

“O que queremos é, por meio de uma atividade que parece ser somente festiva, mostrar que a nossa cultura é o meio ideal para denunciar o racismo geográfico e territorial, a criminalização dos nossos territórios, defender o direito de todas as pessoas à cidade, o direito à moradia e de nosso povo permanecer nos locais onde ele construiu sua história a vida toda. Essa é uma ação em defesa da cidade, porque construir um Salvador para todos é defender toda a cidade”, defende Marcos Rezende.

 

Organizado pelo CEN e pelo Centro Cultural Que Ladeira É Essa?, o Banho de Mar à Fantasia 2020 tem o apoio institucional do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e do Centro de Culturas Populares Identitárias (CCPI), ligados à Secretaria da Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

 

O Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) é responsável pela execução, proteção e promoção das políticas públicas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, orientadas de acordo com o pensamento contemporâneo da Unesco e do Ministério da Cultura. Seu campo de atuação contempla a cultura do sertão, de matrizes africanas, ciganas e indígenas, LGBTQI+, infância e idosos. Coordena o projeto Pelô da Bahia, responsável pela programação artística dos largos do Pelourinho e suas grandes festas populares.

 


Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.