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Plug Cultura
Obras originais de Rodin se instalam por três anos no Brasil
Data: 27/10/2009
Fonte: Divulgação
Museu Rodin Bahia realiza exposição inédita “Auguste Rodin, homem e gênio” com 62 esculturas do artista.


A partir do dia 27 de outubro 2009, e nos próximos três anos, os visitantes do Palacete das Artes Museu Rodin Bahia, em Salvador, poderão apreciar 62 esculturas daquele que é considerado o pai da escultura moderna, o renomado artista francês, Auguste Rodin. Esta é a primeira vez que o Museu Rodin Paris concorda em ceder por tanto tempo as peças para uma exposição, acatando a iniciativa do Governo do Estado através da Secretaria de Cultura.

A exposição “Auguste Rodin, homem e gênio” é uma das atividades mais esperadas da programação do Ano da França no Brasil. “Todo o empenho do Governo da Bahia vale pelo convívio do nosso estado com este grande nome da arte mundial. Rodin é inspirador de todas as outras linguagens. Ter estas obras aqui é uma abertura para nossos artistas dialogarem com o mundo, sendo mais um atrativo para o turismo na Bahia, para o Nordeste e para o Brasil”, explica o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles. As obras foram cedidas em comodato de três anos pelo governo francês para a realização da exposição e devem voltar a Paris, podendo ser feito um novo contrato com outras coleções do autor.

O conjunto de obras que chega ao Brasil é composto por originais que são registrados no inventário das coleções públicas francesas, sendo consideradas propriedade inalienável do Estado Francês. Para a exposição, foram realizadas ações que irão garantir a segurança e a ambientação das peças. “O Rodin Bahia têm uma consistência global que promoveu, inicialmente, o restauro da mansão Catharino (datada de 1912 e tombada pelo Estado como Patrimônio Cultural da Bahia). O gesto profissional do atual governo em continuar e melhorar o projeto iniciado em 2002, fato que deu ao museu Rodin em Paris, a confiabilidade no projeto. E a construção de uma programação ampla de atividades, que incluem exposições de curta duração de artistas modernos, além de um amplo programa educativo”, pontua a museóloga responsável, Heloísa Helena da Costa.

Composta por peças esculpidas em gesso, a mostra traduz a técnica do artista Francês, que costumava a trabalhar com este material, deixando que seus assistentes fundissem o metal para finalização e reprodução de suas obras. Para Rodin, somente o gesso era capaz de moldar sobre o que já fora criado, o metal, ou o mármore, impediam as torções e contornos necessários a sua representação artística. Em “Auguste Rodin, homem e gênio” o público poderá apreciar: O Beijo, O Pensador, O Escultor e Sua Musa, Eva, A Defesa, O Desespero, Terceira Maquete para a Porta do Inferno, Glaucus, O Sono, A Meditação, a Eclesiática, Cabeças de mulher com torso e a Danaide.

Rodin é Pop!
Nas últimas vezes em que as obras de Rodin estiveram no Brasil foram sucesso absoluto de público. Em 1995, mais 183 mil pessoas foram a Pinacoteca São Paulo, estabelecendo recorde para uma exposição no país. Em 2001, na Bahia, cerca de 52 mil pessoas disputaram a chance de conferir de perto outra mostra do autor. O sucesso de público foi fator decisivo para a que o Governo Francês e o Museu Rodin Paris concordassem com o projeto do Museu na Bahia. "Esperamos uma freqüência recorde. Rodin atrairá um grande e diversificado público fazendo jus a todo investimento realizado", reflete a expectativa, o Diretor do Palacete das Artes Museu Rodin Bahia, Murilo Ribeiro.

Nascido em Paris, em 1840, Auguste Rodin é considerado o pai da escultura moderna e um dos maiores expoentes da arte mundial. Um de seus trabalhos mais conhecidos é Porta do Inferno, baseado na obra A Divina Comédia de Dante Alighieri, onde podemos encontrar o esboço de O Pensador, O Beijo e outras esculturas muito reproduzidas.

Dez obras de maior destaque na exposição
Em “Auguste Rodin, homem e gênio” o público poderá apreciar as versões originais de algumas das obras mais conhecidas do artista francês. Estas são algumas das obras de maior destaque na exposição:

O Pensador

Desde os primeiros desenhos ou modelagens para Porta do Inferno, Rodin pensava em incluir a figura de Dante. Inicialmente intitulada de O Poeta, foi em 1889 que surgiu o nome Pensador. Ao que parece, Rodin teve a intenção de colocar diante de Porta do Inferno um Dante vestido, sentado sobre um rochedo, absorto em sua meditação. Mas, separado do conjunto, ele iria ficar sem significação. Decide, então, conforme ele mesmo relatou a Marcel Adam, trabalhar um outro Pensador, um homem nu, agachado sobre uma pedra onde seus pés se crispam. Com os dedos dobrados, sustentando o queixo, ele medita. Um pensamento fecundo se elabora no seu cérebro. Ele sai da situação de sonhador para tornar-se um criador. Dessa composição, onde a figura está concentrada sobre si mesma, costas curvadas, ombros cerrados, nasce a intensidade do símbolo. O Pensador já aparece na terceira maquete modelada para a Porta (1880), no tímpano, como a imagem do criador meditando sobre sua obra; uma vez desprendido de sua obra, ele se tornou um símbolo de esperança e de fé no ser humano.

O Beijo

Na sua origem, essa obra representava Paolo e Francesca, personagens da “Divina Comédia”, de Dante. Na Itália medieval (1275), Francesca, casada com Gianciotto Malatesta, apaixona-se por Paolo, e esse amor os condena. Entre 1880 e 1886, Rodin realizou inúmeros desenhos e modelos em terracota sobre o tema e escolheu traduzir o momento em que o casal tem consciência desse amor e se abraça em estado de total felicidade. Em 1886 ele se deu conta de que essa representação sensual e romântica estava em contradição com o tema trágico e soturno de Porta do Inferno. Decidiu, então, dar-lhe vida própria, realizando, em mármore, uma versão de tamanho maior que o original, para expô-la individualmente, em 1898, no Salão Nacional. O nome Beijo foi dado pelo público, em 1887, quando Rodin o expôs em Paris e em Bruxelas, como parte do conjunto de Porta do Inferno.

Homem que Anda

Obra produzida entre 1899 e1900, a partir dos estudos feitos para a escultura de São João Batista. O conjunto está ligeiramente fora de equilíbrio pelo fato de Rodin ter aproveitado o molde das pernas de João Batista e as encaixado em um torso um pouco dobrado e virado para a esquerda, procurando dar a ideia de movimento. Nessa obra fica evidente a intenção de Rodin em romper com os cânones da escola clássica e da tradição acadêmica, que buscavam o equilíbrio e a harmonia do conjunto bem-acabado. O Homem que Anda foi, para Rodin, uma superação intencional do personagem esculpido para se transformar em uma obra solidária com o conjunto de outras obras, as quais a imaginação pode recompor progressivamente. Isso, dizia ele, é uma inovação fecunda. Ao sugerir o desenvolvimento de um movimento, essa escultura inovou, abrindo a possibilidade de se integrar outra dimensão ao trabalho escultórico: o tempo. O Homem que Anda passa a representar o homem – ser humano – universal.

Eva

Eva foi produzida para a Porta do Inferno, em 1881, mas, sempre muito atento ao modelo (talvez tenha sido Adèle Abruzzezzi), Rodin se espantava de ter que retomar a bacia da figura todos os dias. Até que percebeu que ela estava grávida, compreendeu a situação e falou disso, em 1913, para H. Dujardin-Beaumetz, dizendo: “Um dia eu percebi que ela estava grávida e então compreendi tudo. Os perfis do ventre não tinham se modificado senão de uma maneira muito sensível, mas pode-se ver o quanto eu copiei a natureza com sinceridade observando os músculos das costas e dos lados... Eu não tinha pensado que para traduzir Eva fazia-se necessário tomar como modelo uma mulher grávida; um acaso feliz, para mim, permitiu-me encontrá-la, e isso ajudou singularmente as características da figura. Mas logo, tornando-se cada vez mais sensível, meu modelo sentia que fazia cada vez mais frio no ateliê; ela começa, então, a espaçar as sessões e, depois, não retornou mais. Foi por isso que Eva não foi terminada” (Rodin).

Meditação ou Voz Interior

Meditação, também conhecida como Voz Interior, recebeu influência dos trabalhos de Michelangelo e fez parte da escultura Monumento a Victor Hugo. É uma das obras fundamentais para a compreensão de Rodin, para quem a noção de obra acabada e obra não acabada não tinha significado relevante, uma vez que ele considerava a ausência de partes ou mesmo os fragmentos como esculturas através das quais seria possível sentir emoção, a explosão de uma ideia ou o silêncio oriundo de uma ação reflexiva. Obra acabada em Rodin era aquela que conseguia responder da melhor forma possível às suas intenções de mostrar o ser, o homem em toda a sua humana complexidade. Por isso, tamanha a beleza e o acabamento que ele enxergava na escultura sem braços que chamou de Voz Interior. Segundo Rodin, alguém que medita precisa se voltar para o interior de si mesmo; assim, os braços da escultura não se fazem necessários, desde quando ela está se enrolando sobre si mesma em torno de uma linha serpentina. Ela é, para Rodin, “um admirable mouvement d’arbre pleureur” (admirável movimento da árvore conhecida como “chorão”).

Defesa

Essa obra foi concebida para um concurso público, em 1879, que visava criar um monumento alegórico representando a defesa de Paris, em memória da guerra de 1870, entre a França e a Prússia. Ela tem uma veemência muito própria e uma característica furiosa bastante acentuada. Também é conhecida como Pátria Vencida, Gênio da Guerra e, mais comumente, Apelo às Armas. A Defesa representa um soldado ferido, nu, amparado por uma figura alada com a fisionomia vibrante e violenta. A impressão é de que o soldado, impotente diante da derrota, humilhado porque após tanto esforço não conseguiu contribuir para a vitória, encontra na figura um porta-voz do seu desespero e frustração. E o grito sai da figura porque ele, o soldado, enfraquecido, cai.

Danaide

Concebida para Porta do Inferno em 1885, essa figura não aparece mais na sua última versão. Também conhecida como A Fonte, a obra foi adquirida pelo Museu de Luxemburgo, museu de artistas vivos, após a exposição de 1890. Representa um tema mitológico – as filhas de Danaos ou Danaides são condenadas a encher, sem parar, um jarro sem fundo, por terem matado seus maridos na noite de núpcias. Rodin construiu, antes de tudo, uma paisagem feminina, valorizando a linha das costas e da nuca, tendo escolhido o momento do desespero diante da esterilidade e da insanidade do gesto para aquela tarefa. Esgotada, a Danaide descansa a cabeça sobre os braços e os cabelos parecem se confundir com a água que escorre do jarro.

Cristo e Madalena

Trata-se de um dos raros testemunhos que restam de uma inspiração religiosa em Rodin e corresponde, talvez, à reprise de um primeiro Cristo desaparecido. O escultor cria um Cristo magro e sofredor, cuja cabeça, muito pesada, tomba de lado e se agarra a uma figura de mulher, Madalena, que tem sua origem em outra figura dentre as Condenadas, também concebidas para Porta do Inferno, e que se torna, depois, a Meditação, musa do Monumento a Vitor Hugo.

Terceira Maquete de Porta do Inferno

Esta é maquete mais próxima do resultado final que Rodin obteve de Porta do Inferno. Inúmeros desenhos da mesma época mostram que o escultor tinha reduzido o número de painéis de dez para oito. A organização de Porta do Inferno toma emprestado do estilo gótico uma parte de suas características: no meio existe um painel coroado por uma figura no capitel, que é o Pensador, colocado dentro de uma espécie de tímpano. Todavia, é à Renascença que essa obra de Rodin faz referência, com sua composição em linhas ortogonais e pilastras decoradas. Esse gesso é resultado de uma moldagem em argila, por sua vez, muito trabalhada por Rodin, e sua importância se deve ao fato de ser uma das últimas etapas da reflexão de Rodin sobre o tema.

Mulher Agachada

A obra aparece duas vezes em Porta do Inferno: a primeira, na pilastra direita, associada ao Homem que Cai, formando o grupo intitulado Eu sou bela. A segunda, à direita de o Pensador, foi ligeiramente modificada para ser reunida a uma variante de o Martírio. Esta foi, para Rodin, uma figura de predileção; é possível encontrá-la em diversos grupos (les assemblages) e ela foi exposta muitas vezes: a primeira vez, na galeria Georges Petit, em 1886; em 1899, foi apresentada na Bélgica e nos Países Baixos; em 1900, na exposição Rodin; em Praga, em 1902 e em Dusseldorf, em 1904, sempre em gesso.

Serviço


O que: Exposição Auguste Rodin, homem e gênio.
Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia / Salvador
Entrada franca - terça à domingo, das 10h às 18h

Informações: (71) 3117-6910

Secretaria de Cultura do Estado da Bahia
Rua Inácio Acioly, 06 - Pelourinho, CEP: 40.025-100 - Salvador - Bahia - Brasil
Telefone: (71) 3103-3017 / 3116-4132